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Consulados portugueses deixarão de emitir passaportes

SAOs consulados portugueses no exterior vão deixar de emitir passaportes a partir de segunda-feira, o que já provocou manifestações de desagrado por parte de emigrantes e de parlamentares. Com o novo passaporte eletrônico português (PEP), os consulados vão apenas recolher os dados biométricos dos requerentes e enviálos para Lisboa, onde os documentos serão emitidos. Ao contrário do que acontecia até agora, o PEP terá um único centro emissor, a Casa da Moeda.

O tempo de espera é o principal receio dos emigrantes portugueses, como disse à Agência Lusa o presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), Carlos Pereira. “Portugal consegue fazer um novo passaporte com a tecnologia mais avançada do mundo e não consegue garantir que os portugueses residentes no exterior mantenham a rapidez que este serviço tinha até aqui”, afirmou.

Segundo Pereira, os portugueses residentes no exterior têm “más recordações dos documentos que são feitos em Portugal”: “Ainda não há muito tempo, era necessário esperar anos para se obter uma simples identidade”. Também os deputados do PSD (Partido Social Democrata) pela Emigração criticaram a centralização em Lisboa, alegando que isso implica “graves inconvenientes” na vida dos emigrantes.

De acordo com uma portaria conjunta dos ministérios da Administração Interna, Relações Exteriores e Finanças, publicada neste sábado em Diário da República (diário oficial), o PEP vai ser entregue a partir do quinto dia útil após o pedido, no local onde foi requerido. Os requerentes têm ainda a opção de pedir para que o documento seja entregue no domicílio em três regimes: normal, expresso e urgente. No exterior, o novo passaporte tem o preço de 70 euros, além dos 30 euros no caso da entrega por correio normal, 35 euros por serviço expresso e 45 euros para o urgente.

Se o documento for requerido em Portugal, na Madeira e nos Açores, o preço fica em 60 euros, de acordo com a portaria conjunta dos ministérios da Admi-nistração Interna, Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores) e Finanças. Pessoas com mais de 65 anos pagam 60 euros, e para os menores de 12 anos o valor é de 50 euros. Outra novidade é a entrega do documento em domicílio nos regimes “normal”, “expresso” e “urgente”.

“Pequeno computador”
O secretário-executivo da Administração Interna, José Magalhães, disse à Agência Lusa que o valor do PEP - quase o dobro do que custa hoje o passaporte convencional - não difere muito do valor total das despesas necessárias para a obtenção de um passaporte (33 euros), atualmente em Lisboa. “Além desses 33 euros, o cidadão tem de pagar duas fotografias e tem de arcar com outros custos”, destacou Magalhães, garantindo que o valor do PEP é “um dos mais baixos praticados na União Européia por um passaporte moderno”.

O número dois do Ministério da Administração Interna disse ainda que o chip incorporado no PEP é um dos motivos do aumento do preço do novo passaporte. “As pessoas têm de ter em conta que vão andar com um pequeno computador dentro do passaporte, que processa, arquiva e transmite dados. Depois temos também os custos do processamento do documento”, afirmou.

O PEP terá um chip com informações biográficas e biométricas sobre seu portador, como fotografia, impressões digitais, assinatura e altura. Por isso, ele é mais difícil de ser falsificado.
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