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O Futebol está doente
Augusto Machado
A situação é caótica. A mão direita não sabe o que faz a mão
esquerda. A Federação Portuguesa de Futebol, (FPF) a Liga
e a direcção do Gil Vicente Futebol Clube de Barcelos têm
causado, nestas últimas semanas, no mundo do futebol, uma
grande confusão. Nunca antes se viu tal trapalhada - e logo no
arranque dos campeonatos profissionais de futebol.
Tudo por causa do “caso Mateus”, um jogador do Gil que,
de acordo com as regras da Liga, terá sido inscrito
ilegalmente por ter ocorrido a um tribunal comum. Como tal
o Gil Vicente é despromovido para a Liga de Honra. E aqui
começa a polémica. O presidente do clube de Barcelos ao
recorrer da decisão e afirmando que irá até às últimas
consequências incomodou e causou mal-estar aos dirigentes
da FPF e da Liga - que se vêem, agora, a contas com as
ameaças da FIFA que adverte para a possibilidade de suspender
todos os clubes portugueses, incluindo a Selecção
Nacional, de todas as competições europeias se estes (os
dirigentes da FPF e da LIGA) não puserem, e rapidamente,
a casa em ordem. Recorde-se que este imbróglio do “caso
Mateus” já anda nas páginas dos jornais há meses. Mas como
neste país há o velho hábito de se adiar tudo para a última
hora, apenas alguns dias, antes de começar o campeonato, é
que os responsáveis dirigentes, os senhores que gerem o
futebol profissional, acordaram. O processo que tem sido
tratado com leviandade e com aquele hábito bem português
do “deixar andar” e “logo se verá”, deu neste enredo.
Ora, segundo os entendidos, o “caso Mateus” pertence à
indústria do futebol económico do futuro e não ao futebol
corporativo e social do passado que infelizmente ainda está,
por interesse ou ignorância, no espírito da grande maioria dos
dirigentes desportivos que gerem a indústria do futebol e entre
estes inclua-se os dirigentes da FIFA e da UEFA. É que, os
dirigentes políticos e desportivos, parece que ainda não
compreenderam, que o mundo do futebol mudou de
paradigma, do educativo para o económico, do corporativo para
o mercado, do lazer para o trabalho. O actual modelo
preconizado pela FIFA o qual todos os clubes têm de se
sujeitar aos seus ditames está, na opinião de muitos, a conduzir à destruição do futebol.
São precisas reformas no futebol. Não se compreende que
o campeão da Liga Europeia ganhe, como está previsto, 100
milhões de Euros, enquanto outros clubes vão ter que
acumular défices. Mais tarde ou mais cedo, perante as injustiças e as incoerências que regem
actualmente o mundo do futebol, vão ter de
mudar ou ser obrigadas a mudar. Se não for
agora com o Gil Vicente será no futuro com
outro clube qualquer.
Assim os adeptos do desporto rei, só se
podem regozijar quando os dirigentes do
pequeno clube de Barcelos decidiram ir em
frente – “até ao fim do mundo” e o fim do
mundo será certamente o Tribunal Europeu
de Justiça. E porque o futebol está cada vez
mais desacreditado, está podre. Há muita
gente a apoiar a coragem do Gil Vicente.
Talvez porque o futebol é o espelho do estado
em que se encontra o País. Quem sabe? Com
a sua atitude, o Gil Vicente pode estar a
escrever um novo capítulo na história do
Futebol.

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