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CIA
Mais de uma centena de voos fizeram escala em Portugal

SAMais de uma centena de voos da CIA fizeram escala em aeroportos portugueses, segundo uma carta de Freitas do Amaral, enviada à eurodeputada socialista Ana Gomes, com data de 26 de Junho, na altura em que era ainda o chefe da diplomacia portuguesa.

Na véspera da ida ao Parlamento do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, para falar sobre as escalas de alegados voos secretos da CIA em Portugal, a eurodeputada socialista Ana Gomes revela a existência de uma carta de Freitas do Amaral. Neste documento, o ex-chefe da diplomacia portuguesa confirma a passagem por vários aeroportos portugueses de aviões ao serviço da secreta norte-americana. A carta tem a data de 26 de Junho, mas só agora chegou às mãos de Ana Gomes.

«Esta carta do senhor professor Freitas do Amaral nos últimos dias do seu cargo no MNE respondia a duas cartas minhas e confirmava muitos elementos que lhe tinha mandado, que tinha recolhido nas listas do aerocontrolo, relativamente à passagem por Portugal de aviões referenciados ao serviço da CIA», adiantou.

A resposta de Freitas do Amaral confirmava assim as suspeitas de Ana Gomes com base em dados fornecidos pelos ministérios da tutela e pelo SEF. A eurodeputada referiu que foram confirmados mais de cem voos de cerca de uma dezena de aeronaves, com diferentes matrículas, algumas delas que iam mudando de ano para ano. Segundo Ana Gomes, os voos da CIA fizeram «escala em muitos aeroportos nacionais», com clara incidência no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, nos Açores e na Madeira. A responsável explicou ainda que está à espera de novos esclarecimentos em relação a este assunto, como por exemplo se existe uma lista de passageiros destes aviões, se tinham carga e qual era o destino da mesma.

Em Dezembro do ano passado, Freitas do Amaral no Parlamento afirmou não existirem provas de que a CIA tivesse utilizado território português. Nesta polémica dos alegados voos suspeitos da secreta norteamericana, Ana Gomes considera que não há propriamente uma contradição entre estes dados apresentados por Freitas do Amaral e as informações que constam da carta hoje revelada e com data de 26 de Junho. A eurodeputada acredita que durante esse período de tempo os dados que chegaram à tutela foram actualizados. «O ministro dos Negócios Estrangeiros valeu-se dos elementos que lhe foram fornecidos pelos ministérios técnicos, quando eu forneci ao professor doutor Freitas do Amaral os elementos que constavam da lista do aerocontrolo é evidente que o MNE foi fazer outro tipo de inquérito e obteve outro tipo de reacções dos serviços», disse.

Ana Gomes afirmou ainda acreditar que os controlos aéreos em Portugal funcionam, porque se esta premissa não se verificar «estamos perante um problema de soberania nacional».

«Não tenho dúvidas que o Governo português será o primeiro interessado em levar este esclarecimento até ao fim, porque o que está aqui em causa é grave. Trata-se do respeito por direitos humanos elementares», afirmou.
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