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Festa de Nossa Senhora dos Milagres
O ensejo da renovação da fé
António Vallacorba
Em Hochelaga, a Associação Portuguesa do
Espírito Santo (APES) e a Comissão de festa
distinguiram-se sobremaneira no fim-desemana
passado com a realização da solenidade
de Nossa Senhora dos Milagres, encerrando
de maneira espectacular o ora cessante
período de festas de Verão na nossa comunidade.
Esta terá sido uma das edições mais intensamente
vividas, graças à presença entre nós
do padre António Nunes da Rocha, vindo
expressamente da ilha Terceira para a presidir.
E, curiosamente – ainda bem! – foi das mais
brilhantes, em termos de bom tempo, com a
vistosa procissão a realizar-se pela primeira vez
este ano sob o manto luminoso deste sol amigo
por que tanto temos desejado em momentos
como este!
Santíssima Virgem Maria – Senhora da
Natividade, Aurora da Redenção – o povo fiel
invoca-Vos com o belo título de Senhora dos
Milagres, agradecendo-Vos, assim, as inúmeras
graças recebidas das vossas mãos generosas.
Tal como acontece na Igreja da Serreta, hoje
santuário, a expressão de fé do nosso povo
começou neste dia maior com uma peregrinação
feita a partir de Santa Cruz para Hochelaga,
continuando, mais tarde, na Igreja de
Notre-Dame-des-Victoires, para a celebração
da eucaristia festiva e bastante participada. Foi
presidida pelo padre Rocha e concelebrada
pelo padre José. L. Rodrigues, de Santa Cruz,
acompanhada pelo Coral do S. Santo Cristo,
sob a regência de Filomena Amorim.
Para o padre Rocha, exímio orador e que fez
da fé o tema central das suas homílias, “ter fé,
é apoiar-se, não em si, nos seus raciocínios, na
sua experiência, mas apoiar-se em Deus e só
nele”. E “Maria, modelo de fé, convida-nos a
implorá-Lo. Ela lembra-nos que tudo o que
Jesus ensinou é meio para alcançarmos a
presença e a graça de Deus no nosso coração
e na nossa vida”.
A procissão, longa e vistosa, foi organizada
a partir deste templo, com o acompanhamento
da Banda de Nossa Senhora dos
Milagres, rumo é sede da APES, onde centenas
de fiéis esperavam a imagem da Senhora
da Serreta, saudada também pelo multicolor
tapete de flores na rua circundante. O sol
raiava, o Coral cantou o hino da Senhora
festejada e as gentes estavam felizes!
Na sala superior da APES, seguidamente,
os convidados foram obsequiados com uma
magnífica recepção, com bufete preparado
pelo Paulo Fagundes e naquilo que vem sendo
uma já célebre tradição desta festividade,
enquanto que pelo rés-do-chão ia sendo
bastante animado o ambiente geral. Márinho
Silva, da discoteca “Entre-Nós”, entretinha os
festejantes com música bem à maneira, uns a
dançar, outros comendo do que muito para tal
havia.
E, para encerrar esta memorável festa,
nada melhor do que o concerto executado
pela Banda de Nossa Senhora dos Milagres,
dirigida por Leonardo Aguiar, logo a seguir a
mais uma actuação do Grupo de Dança “Som
do Vento”.
Tudo começou no século XVI quando um
padre tentou encontrar um local, onde pudesse
viver longe dos homens, porque estava
desiludido com a sociedade do seu tempo.
A mata da Serreta foi o refúgio escolhido,
tendo o padre edificado, com as suas próprias
mãos, uma ermida, onde colocou a imagem de
Nossa Senhora dos Milagres. A santidade do
sacerdote, em pouco tempo, foi divulgada por
toda a ilha e a partir do que, surgiram os
primeiros milagres, indo o povo ali em romarias
para pedir a intercessão da Senhora
para cura de doenças e dificuldades de vários
tipos.
O segundo dia festivo, sábado, foi igualmente
bem preenchido, com manifestações
de fé e de entretenimento, a par de muita
movimentação à volta do comes-e-bebes,
com chicharros fritos, morcela, torresmos,
galinha no churrasco, melaçadas, bifanas, etc.,
e os serviços de bazar e do bar.
O luar havia já saudado o breve cortejo do
Bodo de Santo António, acompanhado por
elementos da Banda de Nossa Senhora dos
Milagres, quando, logo após a distribuição de
brindeiras, da celebração da missa e recitação
do terço, o Grupo de Dança “Som do Vento”,
do concelho de Lagoa, nos deliciou com uma
das suas mais espectaculares exibições
desde que se encontrou entre nós, prolongado-
se depois a noite com o concorrido baile,
abrilhantado pelo conjunto “Eurobeat”, do
qual se distingue o nosso comum amigo,
David Pereira Jr.
Parabéns à Comissão de Festa e à Direcção
da APES, a qual, lembramos, é constituída por
Artur Couto, presidente; Joaquim Silva, vicepresidente;
Joaquim Coelho, tesoureiro, e
Eduarda Leite, secretária; assim como as
incansáveis cozinheiras e demais colaboradores.

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