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Cinco anos depois dos atentados...
Estados Unidos vêem a ameaça do terrorismo crescer

SAOs cinco anos que agora se completam sobre a data do pior atentado terrorista na história dos EUA, estimulam a curiosidade em conhecer a forma como tudo foi organizado e executado. É curioso constatar, na perspectiva da minimização dos efeitos de presumíveis novos ataques, que um homem que trabalhava na Torre Sul havia previsto a catástrofe. O primeiro episódio de uma série de cinco que o Canal de História começou a exibir segunda-feira, dia 11, sobre o atentado, revela, com efeito, que Rick Rescorla intuira que o atentado seria levado a efeito por um avião. As medidas que entretanto havia tomado permitiram salvar muitas vidas.

Hoje em dia, a preocupação principal consiste em prevenir novos atentados. Para tal, é importante conhecer a forma de actuação dos terroristas. O segundo episódio desta série mostra alguns importantes aspectos da preparação do atentado de 11 de Setembro. A acção dos criminosos radica numa ideologia totalitária, objecto de análise no terceiro episódio da série. O seu líder, Osama bin Laden, tem uma longa história, escalpelizada no quarto episódio. Por fim, as medidas antiterroristas tomadas depois do atentado afectam, também, imigrantes inocentes, como se dá a ver no último episódio da série. Algumas mudanças ocorridas em virtude do 11 de Setembro

1. Limites à privacidade e restrições dos direitos civis. Multiplicaram-se os equipamentos de videovigilância – só no metro de Londres há 6 mil câmaras. Nos EUA foram ampliados os poderes das autoridades para vigiar e deter cidadãos e fez-se tábua-rasa do direito internacional em casos como os de Abu Ghraib ou Guantánamo.

2. Escalada dos preços do petróleo. O aumento do preço do crude conferiu um poder reforçado a países produtores como o Irão, a Rússia ou a Venezuela.

3. Regresso da ideia de construir nações, no Afeganistão e no Iraque, ambos transformados em atoleiros. No Iraque, morreram mais de 45 mil civis e quase 3 mil soldados da coligação. No Afeganistão, há quase 4 mil mortos e a produção de ópio cresce como nunca – 50% só nos últimos 12 meses.

4. Avanço do antiamericanismo. Hugo Chávez, na Venezuela, tem conduzido a ideia de um mundo livre da dominação americana. Fez acordos energéticos com Assad, da Síria, e trocou abraços com Ahmadinejad, do Irão. Na Europa, a opinião pública também se tornou mais antiamericana.

5. Viagens aéreas perderam o charme. Viajar de avião tornou-se sinónimo de incómodos, atrasos, talheres de plástico e cada vez mais restrições. Corta-unhas, isqueiros ou bâtons passaram a ser confiscados.

6. Alastramento da ideia de deus. A radicalização no médio oriente permitiu os sucessos eleitorais de grupos como o Hamas, na Palestina, o Hezbollah, no Líbano, e a irmandade muçulmana, no Egipto. Mas cres-ceu também a influência dos cristãos, nos EUA – incluindo na Casa Branca.

7. Surgimento do conceito de guerra preventiva, contra nações potencialmente hostis. Reforçou-se o unilateralismo norteamericano.

8. Reforço das pesquisas de combustíveis alternativos, para reduzir a dependência em relação ao médio oriente, responsável por dois terços da produção mundial de petróleo.

9. Perda da capacidade de dissuasão dos EUA, devido aos erros cometidos pela administração Bush. A isso se devem, por exemplo, as manobras e as provocações do Irão em matéria nuclear ou a emergência da China como uma potência global.

10. Proliferação de criações artísticas sobre os atentados, como livros, filmes, etc. Um dos maiores sucessos editoriais, nos EUA, foi o relatório da comissão de inquérito ao 11 de Setembro, com mais de um milhão de cópias vendidas.

11. Convívio com a ameaça terrorista e banalização da morte violenta. Sucederam-se os atentados, em Madrid, Londres, Bali, Istambul... Banalizou-se a islamofobia e a ideia de martírio entre os muçulmanos. As vítimas de ataques terroristas aumentaram cerca de 1000%, em cinco anos.
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