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Uma oração para Anastasia... e para Kimveer
Natércia Rodrigues

SARezei pela Anastasia... Mas também por Kimveer. Anastasia de Sousa tinha mais ou menos a mesma idade dos meus filhos. Ela podia ser minha filha. O seu fim trágico feriume, fez-me mal.... Meu Deus, porquê ela?

Rezei. Pedi a Deus pelo repouso da alma de Anastasia e para que Deus lhe reserve um encontro maravilhoso de amor num magnífico lugar decorado com todos os tons cor-de-rosa, pois o rosa era a cor preferida dela. Rezei também por Kimveer Gil, este jovem que é qualificado de maluco, que tinha sem dúvida um enorme problema, uma ferida muito profunda no seu interior. Pedi a Deus que o acolha também perto d’Ele. Talvez me digam que é impensável rezar pelo bem de uma tal pessoa que matou e atentou contra a vida de tanta gente... Eu sei.

Compreendo até a vossa reacção, mas eu sou crente. Esta herança que os meus pais me transmitiram faz-me ver para além do visível. O que aconteceu é incompreensível, mas afinal o que ele exprimiu através dos seus gestos de extrema violência são o reflexo da nossa sociedade. Não posso desejar mal a Kimveer, pois ele, ao fazer o que fez, é porque não se sentia bem. Não posso no entanto concordar com o gesto endiabrado dele. Temos que perdoar, mesmo se o pecado dele é imperdoável.

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A minha simpatia vai para todas as vítimas desta violência, Anastasia de Sousa, sua família, seus amigos, professores e empregados do Colégio Dawson, aos estudantes e seus familiares, mas também à família de Gill, que deve estar a viver com uma certa tristeza este acto do filho. Um jovem incompreendido, que acabou com a vida, pensando que estava a fazer um acto heróico sem nunca ter compreendido o verdadeiro significado desta palavra.

Sábado à noite fui com os meus filhos e mãe até ao lugar onde esta fuzilada teve lugar e as flores, as velas, as mensagens escritas por toda a parte, tocaram-nos profundamente. Vi uma bandeira portuguesa e pensei: apenas uma bandeira portuguesa? Onde está a nossa comunidade portuguesa de Montreal? Deume a impressão, uma vez mais, que continuamos escondidos, com medo de aparecer.

Lamentamos que foi uma jovem portuguesa que faleceu nas piores condições, mas a comunidade fez alguma demonstração de união, de simpatia ou de solidariedade?

Temos políticos, associações de jovens, e não só, que se podiam ter organizado e manifestado como comunidade, mas preferiram não o fazer. Organizamos festas, mas em momentos críticos de dor, fechamo-nos e dizemos: pobres pais, pobre família, devem estar a sofrer...

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