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O “culto da morte” vitimou Anastasia de Sousa
António Vallacorba

SAA população de Montreal encontra- se em estado de choque por via dos trágicos acontecimentos que marcaram a vida académica do Colégio Dawson, das famílias e estudantes, física e psicologicamente afectados pela fuzilada perpetrada por Kimveer Gill, perfez-se agora uma semana. Desse tiroteio cobardemente premeditado, resultaram as mortes da infeliz Anastasia R. de Sousa, luso-canadiana, e do próprio assaltante, assim como ferimentos, alguns bastante graves, a uma vintena de outras pessoas.

Intitulava-se de “anjo da morte”, 25 anos. Nesse dia fatídico, guiava um automóvel preto, e de preto ia também todo vestido, com um comprido casaco quase a tocar o chão. O penteado, tinhao no estilo dos índios Mohwaks, e era possuidor de uma forte paixão pelas armas. Estacionou no lado oposto da rua onde se encontra aquele estabelecimento de ensino, e, ostentando uma arma semi-automática (diz-se que possuía outras armas, devidamente registadas), ali penetrou, começando logo a disparar indiscriminadamente durante 45 minutos sobre os estudantes, professores e pessoal de apoio. Na altura, encontravam-se 10 mil estudantes no complexo daquela estrutura colegial.

A Anastasia, 18 anos, era filha de Louise Hevey e de Nelson de Sousa, e neta de José Jorge de Sousa e Maria Leonor Reis, naturais de Rabo de Peixe, concelho de Ribeira Grande, S. Miguel. Entretanto, por saber ficam os motivos que precipitaram tão trágica ocorrência. E, interrogações de “Porquê em Montreal?”, ignoram os problemas psicológicos de alguma da nossa juventude e esconde o facto de que vivemos numa das sociedades mais permissivas, amoral, malquerente, da glorificação das armas e largamente influenciada por todos os maus exemplos que o presente estado do mundo tem para lhe oferecer!

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Depois, ficara no esquecimento a afirmação de que “Nunca poderia ter acontecido em Montreal” logo após o incidente na escola de Colombine, Colorado, Estados Unidos, quando esta é a terceira tragédia no espaço de 17 anos em Montreal (as demais foram na Universidade de Montreal, 1989, e na Universidade Concórdia, em 1992).

Louvores à Polícia pela sua “rápida intervenção” no caso, não têm faltado. Todavia, no ar fica a contradição de um dos agentes ter declarado que havia balado fatalmente o Kimveer, quando mais tarde é que seria reposta a verdade em virtude do testemunho de um dos estudantes de que efectivamenete o suspeito havia sido atingido numa perna, mas que fora ele, o atacante, que se suicidara com um tiro no crânio. Depois, há a inquietante pergunta de por que razão só cerca das 22H00 é que a Polícia entrou em contacto com a família da Anastasia, quando o assalto àquele colégio ocorrera às 12H45.

Decididamente e por outro lado, a questão do registo e/ou abolição de armas volta a estar na baila. O Governo federal vai ter que rever esta situação. Mas, qualquer que seja a decisão dos políticos, na qual deverá ser incluída avaliação psicológica dos utentes, certamente que não irá agradar aos que são contra ou a favor do uso de armas. São sempre os inocentes que pagam com a vida; serão sempre as famílias que irão morrendo muitas vezes perante a perda desses entes queridos!

Entretanto, a Anastasia tem sido alvo de várias manifestações de pesar e de tributo nesta cidade, através da província, do Canadá e Estados Unidos. Não lhe restituirão a vida, mas testemunham o amor dos entes queridos e a simpatia por que ela era tida entre colegas, amigos e mesmo pessoas estranhas, enquanto fazendo despertar as consciências de todos nós para tragédias desta natureza, a fim de que possam ser evitadas futuramente.

“A Voz de Portugal” expressa os seus mais sentidos pêsames à família enlutada, e ciente de que não havendo palavras que porventura possam consolar e aliviar a dor e mágoa neste momento difícil por que passam, faz votos para que a morte da Anastasia possa pelo menos resultar em algo de positivo para o resto da sociedade.

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