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Confessionário - José Joaquim Marques da Silva
José de Sousa

SAA melhor viagem que fez foi aos Açores. Ler é como ocupa os seus tempos livres. Os pastéis de bacalhau da esposa são os melhores, segundo o Sr. José Joaquim Marques da Silva, ‘confessado’ desta semana, e colaborador deste jornal, que tão generosamente acolhe o confessionário no seu seio.

A Voz de Portugal: Como se define a si próprio?

José Joaquim Marques da Silva: Ser teimoso. A pertinácia tem-me ajudado a ultrapassar dificuldades.

V.P.: Qual a sua melhor virtude?
J.J.M.S.: Ser diligente. Qualquer serviço iniciado é melhor ser terminado, penso eu.

V.P.: E o seu pior defeito?
J.J.M.S.: Aumentar no íntimo o peso das dificuldades. O meu nome, “José”, tem, na sua origem, o significado de “aumentador” e, nunca consegui vencer esse defeito mesmo quando as dificuldades foram supridas.

V.P.: Qual a sua melhor recordação de infância?
J.J.M.S.: Na minha adolescência assisti aos esforços de minha mãe, chamada para reanimar uma criança quando várias pessoas gritavam aflitivamente “está morta”! Minha mãe era parteira e, entregando a criança viva à parturiente, pediu uma toalha para limpar o suor que lhe sulcava o rosto, e disse para a primeira parteira: - “Anime-se! Deus ajuda principiantes”. Foi uma luta da vida com a morte, e triunfo final para a vida!

V.P.: Se voltasse atrás, o que preferia não repetir?
J.J.M.S.: Não ter tantas vezes, como tive, o medo de falhar.

V.P.: Quando criança, que profissão sonhava vir a ter?
J.J.M.S.: Escritor ou pregador.

V.P.: O que significa para si a vida?
J.J.M.S.: Viver em comunhão com Deus, e em parceria com as pessoas.

V.P.: Em que época histórica gostaria de ter vivido?
J.J.M.S.: Aprendi muito cedo “a remir o tempo porque os dias
são maus”, e desde então aproveito as horas que me oferecem
prazer rejeitando épocas passadas, e ignorando o imprevisível
das futuras.

V.P.: Qual é o melhor sítio do mundo?
J.J.M.S.: Em certa altura passei férias na casa dum missionário, na Chibia, região de Sá da Bandeira em Angola, e quando saía a deambular para tomar ar, punha-me a “escutar o silêncio” que naquelas campinas me empolgava. Nunca o pude escutar em outro sítio como ali!

V.P.: E o pior?
J.J.M.S.: Talvez Iraque, pois me dizem que ali, “a religião perdeu o sentido de amor”. Noutro tempo chamou-se “Babilónia”.

V.P.: O que é viver imigrado?
J.J.M.S.: Verificar que mau grado as diferenças culturais, é possível viver comparticipando em amizade e trabalho, os valores de cada um.

V.P.: Qual a viagem mais agradável que fez?
J.J.M.S.: Depois da independência de Angola dei uma volta pelos Açores em busca de tranquilidade e refrigério. Até agora nenhuma outra viagem me ofereceu mais.

V.P.: Quais as características que mais admira no sexo oposto?
J.J.M.S.: Aquela sabedoria que pela humildade consegue produzir paz nas ocasiões amargas ou duvidosas entre ambos. O sexo oposto foi a primeira bênção de Deus para o mundo; perderá se não souber conjugar harmonia.

V.P.: O que mais o incomoda nos outros?
J.J.M.S.: O menosprezo, ou desrespeito, quando, julgando-se superiores, pensam que nunca perdem...

V.P.: Como costuma ocupar os tempos livres?
J.J.M.S.: Lendo.

V.P.: O que mais lhe agrada no seu trabalho?

J.J.M.S.: Ser útil e concreto.

V.P.: E o que mais lhe desagrada?
J.J.M.S.: A incompreensão da minha pertinência.

VP- Em que é que mais gosta de gastar dinheiro?
J.J.M.S.: Em viagens, ou ajudar em alguma necessidade.

V.P.: Qual é o seu prato preferido?
J.J.M.S.: Pasteis de bacalhau, feitos por minha esposa. Ainda não encontrei melhores.

V.P.: Qual a sua canção preferida?
J.J.M.S.:“Doce Lar” de R. Holden, nr. 414 de Hinos e Cânticos.

V.P.: Qual é o melhor filme que viu?
J.J.M.S.: Os Dez Mandamentos, de Cecil B. De Mille.

VP- Que notícia gostaria de encontrar amanhã no jornal?
J.J.M.S.: Que Jesus tinha voltado, como prometeu.

V.P.: Se fosse invisível para onde iria? Para ver e ouvir o quê?
J.J.M.S.: Iria constantemente a Portugal, como nos sonhos, dar um passeio pelos prados verdes e bosques em flor, por onde meu pai conduzia as ovelhas e eu punha nomes de pessoas válidas a cada uma delas. Os chocalhos do rebanho dariam alegria a minha alma!

V.P.: Qual é a personalidade inter-nacional que mais admira e porquê?
J.J.M.S.: Admirar é “ver com espanto”; eu tenho apreciado algumas personalidades com quem gostaria de conviver para aprender com elas, mas nenhuma ofuscou o meu sentir de modo a ficar cativo. Jesus deu a vida d’ Ele por mim, mas deixou-me em liberdade para O seguir ou não e, confesso, o que me espanta é ser Ele quem não me deixa!

V.P.: Qual é o melhor livro que leu?
J.J.M.S.: Depois da Bíblia, “Deuses aos pontapés” de J.B. Phillips

V.P.: O que pensa deste confessionário?
J.J.M.S.: Que é interessante quando as respostas são dadas com honestidade, e aceitável quando as perguntas são respondidas com graça e afabilidade.Apesar dessas perguntas serem sempre as mesmas, não deixa de ser lido com interesse.

V.P.: Se fosse todo-poderoso, qual é a principal medida que tomaria?
J.J.M.S.: Não sei. Talvez continuasse a ficar do lado divino até ver como o Criador vai harmonizar a criação com as premissas da lógica científica, e como a injustiça dos homens se vai fundir com o Amor de Deus.

V.P.: Qual é o provérbio em que mais acredita?
J.J.M.S.: “O galardão da humildade e o temor do Senhor são riqueza, honra e vida” (Prov.22:4).
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