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00Convívio em honra de S. Paulo, da Ribeira Quente
Confirmou não haver gente como esta gente
Antonio Vallacorba

Os naturais da aprazível freguesia da Ribeira Quente – e não só! – viveram intensamente no sábado transacto os mui agradáveis momentos de confraternização proporcionados por mais este exuberante encontro em honra de S. Paulo, em virtude do que muito se distinguiu sobremaneira a colectividade organizadora do evento, a Associação Saudades da Terra Quebequente (ASTQ).

SAEste memorável acontecimento, dos mais populares entre nós, com jantar-dançante, abrilhantado pelo conjunto “Sonhos de Portugal”, decorreu no salão paroquial da Igreja St-Enfant Jesus, perante largas centenas de convivas, muitos dos quais vindos de longe, nas pessoas de conterrâneos e dirigentes dos convívios de Nova Bedford, Estados Unidos, e de Toronto, no Ontário.

Uma noite deslumbrante, no espectacular efeito visual da decoração do salão, assaz elegante nas suas cores de vermelho e branco, luz, alegria, divertimento, exposição fotográfica, de peças de artesanato, exibição em vídeo de festividades na Ribeira Quente, boa comida, etc., mais que compensou pelo módico preço de acesso ao recinto festivo. Uma noite, também, de muita movimentação e que começou com o desfile de um cortejo simbólico tendo em destaque uma fotografia de S. Paulo e um barco de boca aberta, acompanhados pelos moços e moças que iriam servir o jantar, depois de algumas palavras de saudação e de boas-vindas proferidas pelo Mário Carvalho.

Foi bom ver toda aquela azáfama para servir o jantar, e a que, inclusivamente, não faltou a presença do Jerry Arruda, do Restaurante Adega, não como entidade de restauração, mas de mero ajudante, algo que lhe ficou muito bem, bastante significativo da sua simplicidade e gesto que muito aplaudimos.

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Já agora, o repasto privilegiou maionese de marisco, sopa, salada e prato de rosbife, de boa qualidade e melhor sabor, tudo servido em abundância, com vinhos portugueses, verdes e tinto, para o acompanhamento (extra, claro, tal como a cerveja) e a óptimos preços, aliás, muito louvável e por que temos reivindicado frequentemente perante algumas das nossas colectividades. (Referimo-nos, evidentemente, ao uso dos vinhos portugueses).

A pitoresca Ribeira Quente é uma das seis freguesias do concelho da Povoação, berço da história micaelense. Com uma população estimada em cerca de 800 habitantes (senso de 2001), o seu aspecto físico apresenta-nos dois grupos populacionais assaz visíveis: o lugar da Ribeira e o do Fogo. No primeiro caso, e como o próprio nome indica, situa-se na convergência da ribeira dos tambores com o mar. Quanto ao local do Fogo, situa-se nos arredores da actual igreja paroquial, a única no país que tem a S. Paulo como orago. Naquela zona, existe uma pequena baía na qual se situa um pequeno areal: A Praia do Fogo. A existência de nascentes hidrotermais submarinas tornam a água do mar tépida, constituindo por isso uma preciosidade e raridade turística não só da ilha, mas também da Região.

Esta freguesia mártir, desde sempre virada para o mar, tem conhecido inúmeros desastres ao longo da sua história, os quais, juntamente com a precária situação económica de então, viu, tal como aconteceu com outras parcelas do arquipélago, muita da sua gente empreender as vias da emigração. Gente que hoje certamente não teria a necessidade de deixar a sua querida terra e mar, graças ao advento da Autonomia regional, em que tudo mudou para melhor.

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É essa intrépida gente ainda com terra nas unhas e escamas de peixe na pele e que muito se tem distinguido lá e por terras da diáspora, que a colectividade anfitriã e as suas congéneres têm feito mister salientar com merecidas homenagens (algumas postumamente), tal como aconteceu durante este serão festivo.

Acontecimentos organizados por esta simpática colectividade, dedicada à fraternidade entre todos os homens e mulheres, à divulgação e promoção dos seus valores, cultura, costumes e tradições, a par de acções de solidariedade pela terra distante e apetecida, sempre constituem uma maior valia entre os demais. E, comentários, expressos por alguns dos convivas, de que “Quem sabe, consola-se” e “Isto é gente muito aprumada”, etc., atestam bem da admiração, respeito e simpatia por que a ASTQ é tida na nossa comunidade.

00As festas organizadas pela ASTQ são sempre marcadas pelo que existe de melhor no que respeita ao entretenimento. Se não é o “Starlight”, é o : “Além-Mar”, se não é este, é o “Sonhos de Portugal”. E, tal como se constatou, desta vez não houve também excepção à regra, cabendo, como coube, àquele último grupo o privilégio da animar tão concorrido acontecimento.

Depois, depois...foi o que se viu: uma noite inteira repleta de muita música, de muito dar ao pé e...o resto é história, na medida em que ninguém se furtou à ocasião única de dançar ao som empolgante deste notável conjunto de Toronto, e o domingo foi certamente para descansar o “abuso” que fizeram dos pés!

Foi o Benny Sá que teve a gentileza de nos apresentar aos elementos do “Sonhos de Portugal”, e, segundo declarações que nos adiantaram, estavam extremamente felizes por actuar perante uma das mais numerosas e entusiásticas audiências a que têm tido o privilégio de animar.

Este agrupamento, que em Maio passado lançou o seu mais recente trabalho discográfico, um CD com o título de As Moças d’Agora, é constituído por: Nelson Vicente, Steve Rego e Manny Rego; Tony Faria e Mike Oliveira. O grupo tem a sua própria página electrónica, que é o sonhosdeportugal.com, assim como um clube de admiradores, cujo endereço é o seguinte: Sonhos de Portugal Fan Club, 40 Whertland Drive, Cambridge, Ontario, N1P 1C6.

Pela reacção do que se passou durante a festa, temos a certeza que aqueles talentosos músicos vão ver um aumento no número de admiradores naquele seu clube.

00Por razões alheias à nossa vontade, infelizmente tivemos que sair mais cedo do que é normal. Daí a grande perda de, pelo menos, testemunhar a exuberância das mesas com a sobremesa, que deverá ter sido algo de extraordinário, de comer e de chorar por mais!

Por mais este grande êxito, felicitamos a ASTQ na pessoa do seu presidente, José Pimentel, com votos de contínua prosperidade, extensivos aos demais membros da Direcção, e que são os seguintes: Mariano Miúdo, vice-presidente; José F. Gafanhoto, tesoureiro, Mário Carvalho, secretário; e João M. Linhares, José Cabral, Roberto Carvalho, António Chico, Tito Carvalho e Roberto Abarrota, todos directores.

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