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Recordando o Adriano Pereira
O homem, a voz...
não são mais!
António Vallacorba
É com muita mágoa e maior
sentido de perda que registo aqui
o falecimento do nosso conterrâneo
e compatriota, Adriano
Pereira, vítima de doença que
não perdoa, arrancando-o de entre nós no dia 27 de Setembro transacto. Foi a enterrar no dia 30
desse mesmo mês. Natural do concelho de Lagoa, Ilha de S. Miguel,
Açores, era casado com a Maria dos Anjos, e pai da Betty e do
Patrick. O Adriano era muito estimado por todos que foram
privilegiados com a sua amizade e que com ele partilharam os
momentos de alegria e tristeza, próprios de quem passa por este
mundo de agrura, de desamor, malque-rença, de dor e cada vez
mais violento.
Viu-o pela última vez com vida em Junho passado, durante uma
recepção que a Associação Portuguesa de Ste-Thérèse ofereceu
ao presidente da Câmara Municipal de Lagoa, João da Ponte, que
até nós se deslocou no âmbito do Império de S. Pedro, daquela
comunidade maioritariamente lagoense.
Revestiu-se, então, de uma surpresa assaz emocionante quando
o Adriano apareceu na sede daquela associação. Estava bem
disposto, disse-se ir passando bem e, num ponto alto e inesquecível
do momento, terá cantado um lindo fado pela última vez, fazendo
derramar dos olhos de quem o escutou, admirava e lastimava,
lágrimas doces e ao mesmo tempo doridas.
Da sua vida profissional, lembro sobretudo os anos em que passou
na Ibéria Furniture, onde certamente se terá distinguido como agente
de vendas e onde, graças à sua rica e forte personalidade, terá
contribuído para o sucesso da firma. Soube agora que tinha sido
durante 20 anos o vocalista do conjunto “Magic”. Infelizmente,
nunca o vi cantar com o grupo, mas recordo com saudade os
agradáveis momentos em que tive a felicidade de o ver actuar
individualmente em muitas festas da
nossa comunidade. Possuidor de uma
voz potente, de um estilo muito próprio e
de uma presença invulgar no palco, ele
tipificou o que, no meu humilde entender,
se poderá chamar nessas andanças de “showmanship”, homem/espectáculo,
em português. Quantas vezes não terá
havido em que ele deveria ter sido
chamado para liderar, como apresentador
e artista, muitos dos nossos
espectáculos comunitários! Mas, como
diz o povo, santos de casa não obram milagres. Agora, vai-se
chorar a sua falta, na verdade que um homem só é bom depois de
morrer!
Guardo, sobretudo, na memória, e reconhecido pela amizade que
me dispensou, os esporádicos, mas agradáveis momentos em que
nos encontrámos durante as festas do Espírito Santo de Ste-
Thérèse, onde, com a esposa, deram todo o seu melhor. A sua falta
será profundamente sentida.
Em meu nome e na de A Voz de Portugal, apresento à Maria
dos Anjos, extremosa esposa, filhos e demais familiares, os
nossos mais sentidos pêsames. Que Deus tenha compaixão
da sua alma e o guarde num bom lugar.

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A Voz de Portugal é o mais antigo semanário de língua portuguesa no Canadá
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