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Um ditador paranóico
Augusto Machado
Há cinquenta e oito anos
que a Coreia do Norte tem
um regime comunista apoiado
por um poderoso exercito
de 950 mil homens armados
com as mais modernas e sofisticadas
armas. Todo este
arsenal militar não seria razão
de crítica se a população em
geral deste país não estivesse
a morrer à fome.
Um país com 23 milhões de
pessoas famintas, uma economia
falida e um líder paranóico.
Paranóico porque cisma
que o querem atacar e
complexado porque se recusa
aparecer em público sem
sapatos de tacões altos. E,
para espanto de toda a gente,
ameaçou a semana passada
fazer um teste nuclear. Os
líderes dos países do mundo
livre ficaram abismados com
o anúncio. As primeiras reacções
do Ocidente poderiam
ter sido: “Oh! well, é mais
uma das clássicas e vãs ameaças
do regime comunista de
Kim Jong-II. Mas não é. Desta
vez, a crise é séria. O nível
de ansiedade e preocupação
internacional subiu. Os países
vizinhos como Japão, China,
Coreia do sul, Rússia juntamse
agora aos Estados Unidos
para tentarem impedir os testes
nucleares.
Segundo os peritos, os mais
recentes mísseis balísticos
do regime comunista de Kim
Jong-II, são intercontinen-tais,
ou seja podem atingir as
cidades dos EUA. Além disso,
estima-se que existam
entre seis e oito ogivas nucleares
para ser utilizadas. E
os serviços secretos dos
EUA consideram esta ameaça
credível. Não é por acaso
que os satélites espiões americanos
têm detectado movimentos
suspeitos, em Setembro,
na zona de P´unggye-yok
no Nordeste da Coreia, local
onde está instalado um suspeito
complexo subterrâneo,
próximo do centro de armas
atómicas de Kilchu.
Entretanto, o regime do
ditador norte-coreano está a
ser pressionado por quase
todos os países poderosos do
mundo. A condenação dos
anunciados testes militares foi
unânime na ONU, na Europa,
na Rússia, na China e no Japão.
Todos temem que a realização
dos testes projecte
uma nova crise na região e
eventualmente no mundo
inteiro. E a ameaça de sanções,
por parte das Nações
Unidas, também não têm
produzido efeitos até ao momento.
Mitchel Reiss, do International
Institute for Strategic
Studies, acredita que, “nenhuma sanção económica
irá parar a Coreia do Norte de
perseguir o seu grande objectivo:
ser um dos poderes
nucleares do mundo”. E acrescentou: “quatro dos maiores
poderes económicos e
militares globais, incluindo
três potências nucleares e
três membros do Conselho
de Segurança da ONU (China,
Rússia EUA e Japão) não
conseguiram moldar o Nordeste
asiático”. Porquê? A
Coreia do Norte não se submete. É difícil negociar com
um megalómano. E enquanto
o sistema político do país
não mudar, dificilmente haverá
mudanças significativas
numa ditadura que já está
enraizada no Poder há mais
de meio século.
O presente ditador, como
indica o seu nome, Kim Jong-
II, herdou o “trono” deixado
pelo seu pai Kim Jong-I. Não
irá ser fácil destroná-lo ou
acabar com a “dinastia”, mesmo
quando os seus súbditos
vão morrendo à míngua, oprimidos
e açamados sem saberem
o que é viver em liberdade.
Afinal, em pleno século XXI
ainda existem ditadores tiranos,
usurpadores do poder e
opressores do povo.

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