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Novo PGR destaca combate à corrupção

SAFernando Pinto Monteiro, que segunda-feira tomou posse no cargo antes ocupado por Souto Moura, afirmou que a corrupção é um crime que «pela sua especial gravidade» e «enorme repercussão» na sociedade necessita de «uma maior colaboração entre os vários órgãos do Estado».

O combate à corrupção foi o tema dominante no discurso de tomada de posse de Fernando Pinto Monteiro como novo Procurador- Geral da República (PGR), em que realçou ainda a necessidade de uma maior participação dos cidadãos e um maior dispêndio de tempo e de meios na investigação deste tipo de crime. «Várias leis foram elaboradas com o fim de combater a corrupção, várias experiências foram tentadas, várias iniciativas tomadas, mas a corrupção está aí, tão viva como sempre, minando a economia, corroendo os alicerces do Estado democrático», disse.

Na abordagem da problemática da corrupção, Fernando Pinto Monteiro frisou que se a ordem jurídica não se pode confundir com a ordem ética, «a verdade é que em cada povo e em cada época tem que existir aquele mínimo de valores éticos a respeitar, e subjacentes à feitura e aceitação das leis».

«É aqui, penso, que se coloca um dos pontoschave da luta contra a corrupção em Portugal. É fundamental a criação de um juízo de censura, de um desejo de punibilidade existente na consciência moral do homem médio, que por isso deve ser sensibilizado para o problema», enfatizou.

Segundo o novo PGR, «não havendo essa consciência moral e a certeza de que todos serão tratados de igual forma, existindo antes a convicção de que todos se governam e de que a corrupção é um mal menor e inevitável, os esforços contra a corrupção serão sempre votados ao fracasso».

Pinto Monteiro sublinhou ainda que há vários graus de corrupção, desde a pequena corrupção à corrupção de Estados, mas que é «a grande corrupção» que, arrastando «grandes interesses», torna «os poderosos mais poderosos e os fracos mais fracos». Neste sentido referiu que o Ministério Público, que por definição tem que proteger os mais desprotegidos, «deve empenhar-se seriamente no combate a corrupção».

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