|
 |
|
|
 |
|

Adeus ao Champs português
Sylvio Martins
Toda a vida fui um grande adepto do
futebol europeu. Ver, apreciar, assistir e
jogar ao futebol era a minha paixão e, em
1989, um dos meus sonhos realizou-se.
Um verdadeiro bar desportivo de estilo
europeu, onde todos tinham a mesma
paixão. Todas as semanas, podiam (e
ainda podem) ver jogos de todas as ligas
e de todos os desportos, quer seja futebol,
hóquei, basebol, F1, futebol americano ou
canadiano. O bar chama-se Champs e
está situado no 3956, Boul. St-Laurent.
Nos anos 1990, tive a oportunidade de lá ir
ver os jogos do Mundial, do Euro, da liga dos
campeões, etc. Era realmente um paraíso
para o fanático do futebol. Um dia, falei com um
dos donos do bar, e descobri que dois dos
sócios eram portugueses, Luís Avelino e
Carlos Moleirinho. O terceiro, Chris Vlasic de
origem Croata . Surpreende-me a qualidade e
a envergadura da empresa, hoje reconhecida
como um dos melhores bares desportivos de
Montreal. Além disso, USA Today nomeou o
Champs como um dos 10 melhores da
América do Norte, e único bar desportivo
canadiano da lista.
No Verão de 1988, Carlos, Chris e Luís
concretizaram um sonho, com muito
empenho, o de abrir um verdadeiro bar
desportivo, que não existia em Montreal
naquela altura. Ontem tive a oportunidade de
encontrar um dos proprietários fundadores,
Carlos Moleirinho, que nos anunciou a venda
da sua parte do Champs.

A Voz de Portugal: Quais foram os
melhores momentos do Champs?
Carlos Moleirinho: Durante o Mundial
2006, porque Portugal foi tão longe e pelo
grande apoio dos portugueses. O maior
orgulho deste campeonato era quando tocava
o hino nacional e que todos os adeptos
presentes levantavam-se e cantavam o hino
nacional.
Recebemos várias placas de mérito como o
melhor bar desportivo em Montreal pelo “Montreal Guide”.
AVP.: E os piores?
CM.: Há 8 anos, durante o Mundial na França.
Nos quartos-de-final, a Itália enfrentava a
França e faltavam 15 minutos antes do fim da
segunda parte e o jogo estava empatado. Um
fusível rebentou e faltou a electricidade, e
naquele tempo, o género de fusível estava
descontinuado, deixando todos os adeptos a
gritar e, claro, ficaram bastante chateados. Foi
um momento muito triste para nós porque
não podíamos fazer nada.
AVP.: Quem são os novos donos?
CM.: Os novos donos são Peter Bitharas,
Camine Anania e Nigel Coventry, todos muito
simpáticos. Eles vão continuar na mesma linha
para honrar a paixão pelo desporto. Tive muita
pena de nenhum deles ser português, mas
ninguém teve a disponibilidade para uma boa
oferta.
AVP.: Quais foram as suas contribuições
a nível comunitário?
CM.: Ajudámos o mais possível quando era
um projecto positivo para a comunidade,
como a ajuda nos cadernos da bola para o Euro
e o Mundial; apoiámos na compra de equipamento
para algumas associações; ajudámos
também ao financiamento de um filme comunitário.
AVP.: Qual é o seu próximo projecto?
CM.: Sempre tive orgulho de viver em
Montreal, mas voltar a Portugal e viver lá com
a minha família é um dos meus sonhos, que se
realizará dentro de pouco tempo, onde tentarei
recriar o que eu fiz aqui.

AVP.: Tem algumas palavras “finais”?
CM.: Eu agradeço os que me ajudaram durante
todos estes anos: a minha família,
especialmente a minha mulher, para todo o
carinho e os sacrifícios que ela fez durante 17
anos, nesta aventura fantástica que foi o bar
desportivo Champs; toda a equipa de trabalhadores
que fizeram tanto para o seu sucesso;
José Lúcio, o nosso cozinheiro incansável;
finalmente, a comunidade portuguesa.
A Voz de Portugal deseja-lhe as melhores
venturas para o futuro.

 |
|
|
 |

A Voz de Portugal é o mais antigo semanário de língua portuguesa no Canadá
Fundado no dia 25 de Abril de 1961, em Montreal, Quebeque, Canadá.
4231-B Boul. St-Laurent, Montreal (Quebeque) Canadá H2W 1Z4
Tel.: (514) 284-1813 - Fax: (514) 284-6150
|
|
|
|