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Ideias Frescas
A boa Rolinha...

Natércia Rodrigues

SANão é uma história dos tempos das fadas, aquela que eu procurei o mais fielmente possível, trazer até vós, mas sim um caso vivido no dia-a-dia e contado através duma carta, por uma pessoa amiga.

O acontecimento em boa verdade nada tem de transcendente, contudo, outro tanto não direi da lição que dele se possa tirar, agora que tanto se fala em Liberdade, e que tão pouco se sabem servir dela, todos aqueles que efectivamente a utilizam para fins menos dignos, pondo a descoberto toda a miséria duma sociedade que todos queremos seja melhor. Assim, não direi—Era uma vez…mas direi assim: —Numa manhã chuvosa, pessoa amiga dirigindo-se à labuta do dia-a-dia, encontrou caída no chão e toda molhada, uma inofensiva e boa Rolinha.

Carinhosamente a apanhou, meteu-a no bolso da sua capa, e logo pensou que a avezita com o calor do seu corpo, reanimava, e seria uma vida que ela nessa manhã salvaria. Assim sucedeu. A Rolinha reanimou, e de regresso a casa a sua salvadora procurou dar-lhe comida, e arranjou-lhe uma gaiola dado que de tão pequenina, a mesma ainda não se abastava a si própria.

No dia seguinte, manhã cedo, quando de novo a sua benfeitora lhe ia dar de comer eis que a Rolinha se escapou procurando a sua Liberdade. Minha amiga pensou: É assim mesmo…reanimou-se e agora seguiu a sua vida, o seu destino, porém a Rolinha sentiu que não era a Liberdade que queria, mas sim a Paz, a segurança, e então ao anoitecer, voltou ao convívio de quem tanto já lhe queria, e tranquilamente poisou na gaiola que horas antes lhe tinha servido de prisão.

A minha amiga como viu que o seu regresso foi voluntário, sentiu uma grande alegria e de novo lhe deu todo o alimento e protecção, e pensou: por ora ela está indefesa, mas logo que ela seja livre, e para maior importância a dar ao caso, resolveu soltá-la no domingo de Páscoa, visto que estava próxima essa maravilhosa quadra de Libertação e Amor...”tudo a postos para a cerimónia e…pronto—Abriu-se a gaiola e lá foi ela”. Minha amiga ficou feliz, mais feliz porque se convenceu que a avezita também o iria ser, encontrando o seu amorzinho, seus filhinhos, e toda uma vida a continuar.

Mas quê? Nada disso aconteceu. Passados dias, e quanto sofrimento teria passado ela, pois de novo aparece a Rolinha, cheia de fome e uma pernita partida. De novo foi tratada, de novo voltou à gaiola salvadora, de novo encontrou o amor e amparo da minha amiga.

Achei graça ao caso. Meditei nele, e de tudo isto conclui que a Liberdade só é boa e verdadeira quando sabemos fazer uso dela. Aí sim, é maravilhosa, caso contrário, é melhor viver-se protegido por uma gaiola, que nos dê a Paz e Amor. Há muita gente que é vítima e sofre muito tal qual a Rolinha indefesa, encontrada desfalecida e que foi a vedeta deste pedaço de verdade tirado da vida vivida todos os dias.
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