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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
Portugal entre os
países mais afectados
Portugal, Espanha e Itália estão entre os países
europeus mais afectados pelo aquecimento global,
segundo um relatório britânico esta segunda-feira
divulgado, que aponta consequências como a falta de água, as ondas de calor e os fogos florestais.
O relatório Stern, encomendado pelo governo britânico ao
ex-responsável do Banco Mundial Nicholas Stern, evidencia as
grandes variações climáticas na Europa salientando que as
regiões vão ser afectadas de maneira diferente.
«O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico,
ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália
serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma
mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão,
agricultura e ecossistemas», refere o documento.
O Norte da Europa poderá registar um aumento na productividade
agrícola (com a adaptação à subida das temperaturas)
e menos necessidade de gastar energia no Inverno. Mas os
Verões mais quentes vão aumentar a necessidade de ar
condicionado. O derretimento das neves alpinas e padrões de
precipitação mais extremos podem aumentar a frequências
das cheias nas principais bacias hidrográficas como as do
Danúbio, Reno e Ródano.
O turismo de Inverno será gravemente afectado.O estudo
prevê também que muitos países costeiros em toda a Europa
sejam vulneráveis à subida do nível do mar.
A Holanda, onde 70 por cento da população seria ameaçada
com uma subida de um metro no nível do mar, é o país que se
encontra mais em risco.
O relatório refere ainda que os países desenvolvidos de latitudes
mais baixas (caso de Portugal) são os mais vulneráveis.
Regiões onde a água já é escassa enfrentariam grandes
dificuldades e custos crescentes. Estudos recentes sugerem
que um aumento de dois graus nas temperaturas globais
poderia levar a uma redução de 20 por cento na disponibilidade
de água.
A escassez de água nesta região vai limitar o efeito de
fertilização do carbono e levar a quebras substanciais na
agricultura.
Os custos dos fenómenos extremos como tempestades,
cheias, secas e ondas de calor vão aumentar rapidamente com
temperaturas mais altas, neutralizando alguns dos benefícios
iniciais associados às alterações climáticas. Só os custos destes
fenómenos poderiam atingir 0,5 a um por cento do Produto
Interno Bruto (PIB) mundial em meados do século e
continuarão a aumentar à medida que o mundo aquece. As
ondas de calor, como a que aconteceu na Europa em 2003,
provocando a morte de 35 mil pessoas e prejuízos de 11,7 mil
milhões de euros na agricultura, serão comuns em meados do
século. A disparidade norte-sul dos impactos das alterações
climáticas já tinha sido registada durante esta onda de calor
quando as colheitas no Sul da Europa tiveram uma quebra de
25 por cento, enquanto no Norte da Europa se verificou o
contrário (aumento de 25 por cento na Irlanda e 5 por cento na
Escandinávia).
O turismo pode mudar-se para norte, já que as regiões mais
frias vão passar a ter Verões mais quentes, enquanto as
regiões mais quentes do Sul da Europa vão sofrer uma maior
frequência de ondas de calor e reduzir a disponibilidade de água. Vastas regiões do mundo serão devastadas por
consequências sociais e económicas das temperaturas
elevadas.
«Como a história demonstra, isto conduzirá a um movimento
populacional e em grande escala desencadeando conflitos
regionais», salienta o estudo.

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