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Liga de Honra
Sozinhos em casa
Da próxima vez que alguém quiser convencer-se, ou a
terceiros, de que o abominável “factor casa” faz a diferença -
nada contra o facto de uma equipa jogar em casa, tudo contra
a banalização do conceito, que conduziu ao lugar-comum -, terá
de pensar na nona jornada da Liga de Honra, o campeonato
que dá sentido às tardes desportivas do domingo, desde que
a televisão roubou à companhia mágica da rádio quase todos
os desafios do escalão principal. Sintonizam-se as emissoras
que resistem e passeiam pelos campos todos e o que se
descobre é que, felizmente, às vezes, os lugares-comuns são
derrotados por goleada. Domingo, foi assim. Em nove jogos,
só o Rio Ave, desesperado por uma série desinspirada de
resultados negativos, foi capaz de mandar na própria casa, para
tristeza do Estoril, que, noutra jornada, poderia despedir-se
com a resignação dos que jogam fora, ficou sozinho, envergonhado
pelo golo sofrido, que o subtraiu ao pelotão dos que
foram marcar em relvado alheio, que foram todos menos o
Olivais e Moscavide, para quem o zero em Penafiel correspondeu
a um ponto.
A tendência varreu a tabela do Minho ao Algarve (Olhanense
e Portimonense que o digam), de alto a baixo, literalmente no
caso do Varzim, que caiu para o terceiro lugar, derrotado pelo
Chaves, último da classificação. Aproveitaram Feirense e
Leixões, em Guimarães e Gondomar, respectivamente, com
lucro substancial para os de Matosinhos, instalados no conforto
dos lugares de subida e a olhar com satisfação para o líder, que
atrasou o poderoso candidato vimaranense, na ressaca da
vitória no Mar, há uma semana.
Ao quinto jogo de um campeonato que começou a disputar
tarde e injustamente - no relvado, que é onde as equipas
mostram o que valem, esta ganhou o direito a estar no primeiro
escalão - o Gil Vicente conseguiu, em Vizela, a primeira vitória.
Não chegou para mudar a classificação, porque o Chaves
também se estreou a ganhar, mas provou-se que há vida no
fundo da tabela.

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