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Ex-presidente iraquiano é culpado de crimes contra a humanidade
Saddam condenado à morte por enforcamento

SAO supremo tribunal iraquiano condenou Saddam Hussein à pena de morte por enforcamento, por crimes contra a humanidade. O expresidente do Iraque foi considerado culpado da morte de 148 camponeses xiitas em Doujail em 1982.

O meio irmão de Saddam, Barzan Ibrahim al-Tikriti, também foi condenado à morte pelo mesmo crime, assim como um ex-juiz que serviu durante o regime do partido Baas, Awad Hamed al-Bander. O ex-vicepresidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, foi sentenciado a prisão perpétua e três outros membros do Baas foram condenados a 15 anos de prisão. Mohammed Azawi Ali, foi absolvido por falta de provas. A leitura da sentença não decorreu de forma pacífica. Inicialmente, Saddam não se queria levantar para ouvir o veredicto do juiz Rauf Abdel Rahman. Teve de ser um funcionário do tribunal a erguer o expresidente iraquiano. Depois, enquanto o juiz lia a sentença, Saddam gritou: “Deus é grande!”, “viva o Iraque! Viva o povo iraquiano!” e “abaixo os traidores!”

00Reacções diferentes
Após a leitura da sentença de Saddam, as reacções de todo o mundo não se fizeram esperar. A Casa Branca congratulou-se com a condenação à morte pronunciada contra o antigo presidente iraquiano, através do porta-voz da presidência americana, Tony Snow. “Eis agora a prova absoluta de que existe um sistema judicial independente no Iraque”, afirmou Snow. Já a Rússia mostrou-se bem menos optimista que os EUA. Se Saddam for condenado, “isso terá consequências catastróficas para o Iraque, que se encontra já à beira da explosão”, afirmou o presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento russo, Konstantin Kossatchev.

Seja como for, os russos consideram “pouco provável” que a condenação à morte de Saddam seja concretizada. A Amnistia Internacional manifestou-se contra a sentença. “A Amnistia Internacional está contra a condenação.

Há muitos anos que temos vindo a denunciar as atrocidades cometidas por Saddam Hussein. No entanto, consideramos que esta condenação não serve as vítimas e, por isso, deveria ser feito um novo julgamento”, disse à Lusa Cláudia Pedra, porta-voz da ONG.

A UE pediu ao Iraque, em comunicado, que não aplique a pena de morte. “A presidência recorda a posição da UE contra a pena de morte. A UE opõe-se à pena capital em todos os casos e em todas as circunstâncias e apela a que não seja aplicada no caso presente”, declarou a presidência finlandesa da UE.
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