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Imigrantes ganham menos 2,6% que os portugueses

SACostuma dizer-se que os imigrantes vêm fazer o trabalho que os “nativos” não estão dispostos a fazer. E aceitarem fazer o mesmo trabalho em troca de uma remuneração mais baixa. Um estudo (immigrants’ earnings and workplace characteristics) realizado com base nos quadros de pessoal de 2000 por três investigadores da Faculdade de Economia do Porto, publicado no início do ano, vem demonstrar isso mesmo: em Portugal, os imigrantes recebem, em média, salários inferiores em 2,6% face aos trabalhadores nascidos no país que desempenham funções idênticas nos mesmos locais de trabalho. Esta discriminação apresenta diferentes graus de intensidade consoante o nível de rendimentos dos trabalhadores. A maior discriminação faz- se sentir no terceiro decil da distribuição - numa fila de 10 trabalhadores construída por ordem ascendente, o terceiro decil corresponde ao trabalhador que ocupa a terceira posição, ou seja, o terceiro mais mal pago. Aí os imigrantes recebem menos 3,6% do que os seus congéneres, enquanto no extremo mais baixo o diferencial é pouco superior a 2% e no extremo mais alto é quase nulo.

A menor discriminação salarial registada entre os trabalhadores que recebem ordenados mais baixos deve-se à imposição do salário mínimo, que obriga as empresas a pagarem o mesmo aos trabalhadores, independentemente da sua origem. Quanto à proximidade salarial registada nos níveis mais altos, esta deve-se ao facto de os imigrantes em causa serem geralmente altos quadros, contratados num mercado competitivo onde não são perceptíveis discriminações raciais ou étnicas.No entanto, apesar de ganharem menos, os imigrantes tendem a beneficiar mais por cada ano de antiguidade. Anabela Carneiro, uma das autoras do estudo, disse ao DN que os imigrantes “têm um maior retorno salarial pela antiguidade e maior probabilidade de serem promovidos no final do ano”.

Isto deve-se, sobretudo, ao facto de a aprendizagem adquirida por estes trabalhadores no país de origem não ser geralmente transferível para o país de destino. Porém, à medida que o tempo passa, esta maior qualificação materializa-se no desempenho do imigrante, que acaba por ser premiado pelo patrão. Portugal é o país que menos discrimina os salários.

Apesar da discriminação clara constatada neste estudo (disponível na internet), os autores, Anabela Carneiro, Natércia Fortuna e José Varejão, assinalam que o reduzido diferencial salarial vem corroborar a tese de que Portugal é o país (juntamente com a Alemanha) que menos discrimina nos imigrantes no mercado de trabalho. Seguindo uma base de dados diferente e metodologias distintas, com efeitos inevitáveis no apuramento dos resultados, um estudo intitulado Divergent patterns in immigrant earnings across european destinations, de Adsera e Chiswick (da Universidade de Illinois, nos EUA), publicado em 2005, estimava em 40% o diferencial salarial entre trabalhadores “nativos” e estrangeiros. Porém, esta “taxa de penalização” variava de forma significativa consoante o destino dos imigrantes, sendo Portugal o país onde o diferencial era menor, de 14,4%, seguido da Alemanha, de 15,3% .

No caso português, esta discriminação aumenta de forma significativa quando os imigrantes são do sexo feminino.Nem o estudo dos autores norte-americanos nem o da Faculdade de Economia do Porto avançam explicações para o facto de Portugal se encontrar entre os países que menos discriminam os trabalhadores do ponto de vista salarial. Para tal, poderá contribuir o modelo de emprego português, muito assente em mão-de-obra pouco qualificada e, como tal, mal remunerada. Curiosamente, o Luxemburgo surge como o segundo país onde a discriminação salarial dos imigrantes - que na maioria são oriundos de Portugal - é mais elevada.

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