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Na Caçorbec, fados com Jordelina, Nivéria e amigos
Foi cantar até a voz doer!
António Vallacorba

SAA Casa dos Açores do Quebeque (Caçorbec), que recentemente muito se distinguiu com a organização da sua segunda semana cultural, voltou a evidenciar-se no sábado passado, 25 do corrente, desta vez com a realização de uma muito “apetecida” noite de fados. “Muito apetecida” não só pela sua raridade na Caçorbec, mas também pelo interesse que o acontecimento sempre suscita na nossa comunidade, assaz fértil em valores artísticos desta natureza e onde o fado é rei.

Uma noite, aliás, bem preenchida, com jantar até, num ambiente assaz caloroso e de sala cheia de admiradores da Jordelina Benfeito, Nivéria Tomé e João Pereira; António Moniz e Libério Lopes, todos em grande forma. Com a ausência do presidente da Caçorbec, Damião Sousa, coube à Paula Ferreira, secretária, de dar as boas-vindas e de apresentar alguns dos artistas, algo que desempenhou cabalmente e com a graça que se lhe reconhece.

Nivéria Tomé, com “Nem às paredes confesso”, “A lenda da fonte” e “Retalhos da minha vida” (este da autoria de Joviano Vaz); a Jordelina Benfeito, com “20 anos”, “Lágrima”, “O xaile de minha mãe”, entre muitos outros; e o João Pereira, com “Aquela igreja”, “Cabelo Branco” e uma canção regional madeirense muito engraçada, preencheram, cada qual no seu estilo, largas horas de muita comoção, intensa meditação e alegria contagiante. O auditório, largamente embevecido, não se esquivou aos calorosos e entusiásticos aplausos com cada interpretação que ia sucedendo, num crescendo cada vez mais empolgante que o anterior.



Depois, foram-se seguindo os “mais um, mais um!”, prolongando a noite até às tantas da manhã! O António Moniz, à guitarra, e Libério Lopes, à viola, distinguiram-se sobremaneira no acompanhamento aos fadistas já referidos; porém, souberam ainda despertar muita atenção durante os vários momentos de guitarradas, confirmando o bom momento que estão a atravessar. Louvores vão igualmente para as senhoras cozinheiras, que prepararam o excelente jantar à base de bacalhau no forno, de óptima qualidade e melhor confecção e em expectativa de visões semelhantes da noite da consoada que se avizinha. No som, os artistas foram apoiados por Fernando Vinagre, nem sempre bem sucedido por razões de incompatibilidade entre algum ou outro microfone e o sistema sonoro, mas ao fim e ao cabo acabando por não prejudicar totalmente as actuações dos intervenientes.

Felicitamos a Caçorbec e os respectivos fadistas pelo grande sucesso do acontecimento em questão, fazendo votos para que se repita mais vezes e adentro da disponibilidade da colectividade anfitriã.
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