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Aborto:Referendo no dia 11 de Fevereiro

SACavaco Silva anunciou a semana passada a sua decisão de convocar a consulta popular sobre a interrupção voluntária da gravidez para o dia 11 de Fevereiro. Numa comunicação ao País, o Presidente apelou à serenidade e elevação no debate até lá.

Sublinhando a constitucionalidade e legalidade da proposta da Assembleia da República sobre o novo referendo ao aborto que lhe chegou às mãos, Cavaco Silva anunciou, numa comunicação ao País que convocou para 11 de Fevereiro a consulta, por entender que «os portugueses devem ser consultados sobre uma matéria tão sensível e decidir em consciência». O anúncio da decisão acontece a 10 dias do fim do prazo legal. O Presidente justificou a data com a necessidade de que «as diversas forças políticas e movimentos da sociedade civil disponham de tempo para esclarecer os eleitores», mas, ao mesmo tempo, «que o debate não se arraste excessivamente no tempo».

«É imprescindível que o debate decorra com serenidade e elevação», alertou ainda Cavaco Silva. O processo para a realização do referendo começou, formalmente, com a aprovação no Parlamento de uma proposta de referendo, a 19 de Outubro. O Presidente da República enviou, depois, a proposta para o Tribunal Constitucional (TC) que, a 15 de Novembro, deu «luz verde» à pergunta para o referendo.

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?» foi a pergunta aprovada pelo TC, igual à do referendo de 1998.

Após a publicação da decisão do TC em Diário da República, a 20 de Novembro, o Presidente tinha 20 dias para decidir se convoca ou não a consulta popular, ou seja, até dia 10 de Dezembro. Dado que 10 de Dezembro é um domingo, o prazo legal só terminaria na segunda-feira seguinte, 11 de Dezembro.

Data unânime
O dia escolhido pelo Presidente para o referendo foi considerado adequado por parte dos partidos políticos e dos movimentos de cidadãos. PS, PCP e BE garantiram já que irão fazer campanha pelo «sim» à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, enquanto o PSD apelou à «despartidarização » da consulta e o CDS-PP, único partido com posição oficial pelo «não», pediu uma votação inequívoca mas serena. A data de 11 de Fevereiro foi igualmente bem recebida pelos movimentos de cidadãos que vão intervir na campanha do referendo, que vai decorrer entre 30 de Janeiro e 9 de Fevereiro. Tanto a plataforma «Não Obrigada» como os três movimentos anunciados pelo «sim» consideraram que a data escolhida permite o tempo suficiente para o esclarecimento dos portugueses.
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