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O fim de dois ditadores
Augusto Machado
Augusto Pinochet, um militar de carreira,
derrubou Salvador Allende e impôs uma
ditadura no Chile de extrema direita. Fidel
Castro, revolucionário, destituiu Baptista e
estabeleceu em Cuba uma ditadura de esquerda
que ainda hoje perdura desde 8 de
Janeiro de 1959. Pinochet que faleceu há dias
e Fidel à beira da morte, os dois homens
marcam o fim duma era na América Latina –
foram ditadores, antidemocráticos, nacionalistas
e liquidaram e prenderam centenas de
milhares de pessoas.
Dois homens tão diferentes mas iguais na
sua tirania. O cubano, Fidel Castro, 80 anos de
idade e o chileno, Augusto Pinochet, 91 anos,
marcaram uma era política - a esquerda e a
direita da América Latina. Os dois derrubaram
regimes pela força das armas, impuseram
uma ditadura, tornaram-se fervorosos
nacionalistas, eliminaram selectivamente os
seus opositores políticos e acreditaram
cegamente nos seus credos: Castro no
comunismo e Pinochet na economia de
mercado favorecendo e protegendo os que
acreditavam na mesma doutrina. Nenhum
deles acreditou na liberdade. Ambos
autoritários, vaidosos, egocêntricos, teimosos
e amantes do poder absoluto insistindo na
ficção de representar algo: Castro o povo;
Pinochet a pátria. Uma inegável tendência de
caciquismo que na sua época animava-lhes a
alma.
A violência das ditaduras. No Chile houve
100 mil prisões políticas, duas mil execuções,
1200 desaparecidos. Em Cuba, a Human
Rights Watch estima que existam hoje 300
presos políticos. Não há números fiáveis para
Cuba, mas estimativas apontam para 20 mil
mortos às mãos do regime comunista de
Castro. Pinochet governou com mão de ferro
até ser expulso do poder. Ignorou a pobreza,
a iniquidade social e foi indiferente perante os
mais fracos e desprotegidos. Em 2000 foi
considerado culpado por um tribunal por
todas as atrocidades cometidas contra o povo
chileno e colocado sob prisão domiciliária. A
sua “demência moderada” permitiu que
fosse libertado em 2002 para, logo em 2004,
ser privado da imunidade voltando, um ano
depois, à prisão.
Fidel Castro, em consequência de uma
doença secreta e uma intervenção cirúrgica já
foi afastado do poder e do comando da
revolução tendo sido substituído pelo seu
irmão Raúl. Um dos seus últimos actos
públicos foi a congratulação pela vitória de
Hugo Chávez, na Venezuela: Castro tem a
agradecer dois mil milhões de dólares anuais
que Venezuela injecta na sua debilitada
economia. Desde 1959 que o líder cubano
nunca mais largou a trela do poder. Na órbita
soviética ou na oposição aos Estados Unidos,
nunca deixou de ser um pragmático a delinear
políticas e a eliminar inimigos. Nacionalizou a
ilha inteira, com a excepção da base militar
americana de Guantánamo. E tornou Cuba
num paraíso de pessoas pobres, pedintes e
literatas que só lêem o que o Governo autoriza.
Qual será o futuro desta ilha paradisíaca?
Uma coisa é certa: sem El comandante, Cuba
será certamente diferente.
Estes dois ditadores, assim como muitos
outros que felizmente já desapareceram da
face da Terra, ficarão na História como tiranos,
opressores do povo e famintos pelo poder.
Pinochet representa uma memória de um
passado autoritário. Fidel Castro representa
um anacronismo ainda vivo embora moribundo– lidera um regime totalitário há 47
anos consecutivos.

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