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Natal de 2006...
Natércia Rodrigues
A escolha do dia 25 de Dezembro foi inteligente
e nada teve de abusivo. Ao colocar, de
uma vez por todas o nascimento de Cristo a
meio das antiquíssimas festividades pagãs do
solstício do Inverno, a Igreja Cristã tinha a
esperança de as absorver e de as converter. O
que aconteceu foi que, por um lado, as festividades
pagãs foram vitoriosamente envolvidas
pela fé cristã, e o nascimento de Jesus
transformou-se no espírito das pessoas, no
principal ponto de interesse do solstício do
Inverno.
Os Apóstolos encarregaram-se de espalhar
a palavra de Jesus Cristo e muita gente
converteu-se ao Cristianismo. Os primeiros
cristãos foram perseguidos pelos romanos e
apenas no ano de 306 D. C, quando o imperador
Constantino se converteu ao Cristianismo,
este se difundiu em grande escala.
Esse imperador mandou construir muitas
igrejas, entre elas a igreja da Natividade em
Belém, no local onde se julga que Jesus terá
nascido. Embora a celebração do Natal
começasse com o nascimento de Jesus,
tornou-se verdadeiramente popular há
apenas 300 anos. Os primeiros registos da
celebração do Natal têm origem na Turquia, a
25 de Dezembro, em meados do século II. No
ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma
investigação detalhada e aclamou o dia 25 de
Dezembro como data oficial e o Imperador
Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional.
O período das festas alargou-se até à
Epifania, ou seja do 25 de Dezembro até 6 de
Janeiro, ou seja o dia dos Reis Magos.
Os dias em Dezembro ficam cada vez mais
pequenos, até ao dia 21 do mesmo mês, dia
do solstício de Inverno, e, os povos pagãos
festejavam os dias que precediam esta data,
com o objectivo de apaziguar o Sol e fazer com
que este aparecesse de novo, fazendo com
que o Inverno fosse mais suave.
Após o
solstício, os dias ficam maiores e mais claros,
isto significava para eles luz, alegria e esperança
de boas colheitas. Em Roma festejavase
o triunfo de Saturno sobre Júpiter. Saturno
era a idade de ouro de Roma, por isso era
associado ao Sol. Nesta altura ninguém
trabalhava. Acendiam-se velas e grandes
fogueiras para iluminar a noite e havia muita
comida. Outro ritual era a oferta de presentes
para apaziguar a deusa das colheitas, sim, pois
os romanos tinham deuses para quase tudo.
Os maiores festejos da Era romana, realizavam-
se em honra do deus Mitra, que nasceu
a 25 de Dezembro. Por este facto, o
Imperador Aureliano declarou este dia o
maior feriado em Roma. Passado cerca de um
século, o Imperador Constantino, que se
tinha convertido ao cristianismo, manteve
muitos dos rituais, pois o deus Mitra representava
o sol e a sabedoria.Cristo representa a
vida, a luz e a esperança. Então em vez de se
festejar o Sol como antigamente, passar-se-ia
a celebrar o nascimento de Jesus Cristo e a
festa pagã seria absorvida pela festa cristã.
Em 1533 o Natal tornou-se um grande
acontecimento, e era celebrado com cânticos,
danças, teatro e abundância de comida. O
Clero com estes excessos todos colocou
alguns entraves à maneira como o Natal era
celebrado, isto é para a igreja, faltava o lado
espiritual. Surgiu então a questão de abolir ou
não as festas, antes que estas caíssem em exageros.
Com a reforma, Lutero considerou os festejos
desnecessários e, na Escócia, o Natal foi
abolido em 1583. O povo demonstrava o seu
descontentamento com estas leis e foi resistindo
ao seu cumprimento, continuando a
festejar o Natal. Mas a lei foi mais forte e o
Natal tornou-se de facto ilegal. As igrejas foram
fechadas e quem não respeitasse a lei era
punido. Note-se que os Puritanos tomaram
estas medidas como precaução, pelos excessos
pagãos que estes festejos continham e
não pela celebração do acontecimento cristão.
O Natal foi novamente legalizado em
1660, quando Carlos II regressou ao poder.
Mas com a revolução industrial o espírito do
Natal foi-se perdendo. Era necessário trabalhar
o mais possível para fazer dinheiro, e não
havia lugar ao descanso, como tal os feriados
foram proibidos, incluindo o do Natal. Apenas
algumas pessoas continuaram a festejar o
Natal em suas casas. Alguns patrões concediam
também algumas horas livres aos seus
empregados. Enquanto em Inglaterra a
maioria das pessoas andava triste, na Alemanha,
as pessoas festejavam alegremente o
Natal, que se consolidou com muita tradição.
No século XIX (finais) os americanos viam
esta época com grande ternura, provavelmente
devido aos emigrantes germânicos
que a celebravam com entusiasmo.
Os germânicos
celebravam o Natal com grandes
feiras, árvores, luzes e presentes, e a crianças
eram o alvo das maiores atenções. Quando
em 1837 a rainha Vitória subiu ao trono de
Inglaterra, este país mudou radicalmente a
sua posição acerca do Natal. A rainha casou
com o príncipe Alberto, de descendência
alemã, e o príncipe trouxe consigo as tradições,
e o espírito do Natal ressurgiu. Esta época era maravilhosa. A família real festejavaa
com grande carinho pelas crianças, e
fomentava a solidariedade e o amor pelo
povo. A primeira árvore de Natal foi introduzida
pelo próprio príncipe Alberto. A
Família real foi a grande responsável pelo
impacto que o Natal veio a ter em Inglaterra.
Era uma época de boa vontade e de amor, na
qual os mais desfavorecidos colhiam algum
consolo. Finalmente no século XX, o feriado
continuou e a tradição chegou até nós. Para
os crentes, a véspera de Natal é a parte mais
emocionante da época natalícia, porque
anuncia o momento em que podemos começar
a celebrar o nascimento de Jesus. É uma
antiga tradição dizer que Jesus nasceu no dia
25 de Dezembro, exactamente à meia-noite.
Quando os cristãos ouvem os sinos tocar à
meia-noite, surge de novo o sentimento de
que Cristo está a entrar no mundo. É um
momento emocional muito importante para
aqueles que têm uma fé pessoal forte. A todos
um Bom e Feliz Natal .
Votos de Natércia
e José Rodrigues

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