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Tempo para reflectir
Augusto Machado

SAÉ tempo para ler, ver e ouvir. Tentar compreender melhor (se é que isso é possível) o que se passa à nossa volta. O porquê de tanto ódio no mundo. A razão de tanta gente revoltada. E o que é que leva certos grupos da sociedade a tornarem-se terroristas e, indiscriminadamente, a matarem tanta gente inocente?

Vivemos num mundo hostil e agressivo. Sabemos que a agressividade é um instinto comum a todas as espécies animais, incluindo o homem, que tem uma função determinante na luta pela sobrevivência e na auto-afirmação do indivíduo. É considerada um sentimento negativo quando a vertente destrutiva prevalece sobre a construtiva no exercício da própria agressividade, produzindo emoções de dor tanto naqueles que a sofrem, como naqueles que a exercem.

A agressividade é provocada por uma gama de emoções vividas, contidas e deprimidas, tal como o sentimento de injustiça, de incompreensão, de frustração que se vão acumulando no inconsciente até determinarem uma reacção explosiva. Não é certamente difícil compreender que uma pessoa frustrada, sobretudo quando é negada durante muito tempo, dá lugar a uma agressividade que pode manifestar-se de forma violenta. E, às vezes, não é preciso muito para justificar tal violência. Basta um pequeno argumento e zás – há logo a vontade de puxar pelo gatilho. Ninguém tem tempo ou paciência para tentar compreender o motivo do desentendimento. É o “shoot first ask questions later”. Este tipo de comportamento agressivo acontece mesmo de forma banal, com coisas insignificantes, como por exemplo alguém que decide roubar um telemóvel e se o dono resiste corre o risco de o larápio lhe enfiar uma bala na cabeça. É a sociedade em que vivemos – mata-se por tudo e por nada.

Entenda-se por frustração o estado de espírito que se instaura quando não se consegue realizar um projecto, não possuir o que os outros possuem, sentir-se marginalizado ou satisfazer um desejo. Considera-se frustrado aquele que não consegue alcançar os seus objectivos ou exprimir os seus sentimentos. Tomemos o exemplo dos bombistas suicidas, as pessoas acham que é uma loucura, mas como lhes é prometido que vão ressuscitar no paraíso e que lá estão 72 virgens à sua espera, não resistem à tentação. E assim se ceifam vidas inocentes. Todos os dias, quer seja na Faixa de Gaza, em Bagdade ou em qualquer outra parte do Globo, somos bombardeados com notícias horrorosas no ecrã da televisão: crianças órfãos que choram porque os pais foram mortos num ataque terrorista.

O ser humano é uma espécie complexa: tem um cérebro mas utiliza-o para praticar o mal, tem olhos mas pretende que é cego e tem ouvidos mas só ouve aquilo que muito bem lhe interessa. É pena!

Porque todos nós possuímos o poder do subconsciente e por conseguinte o poder de escolha. Se pensarmos no bem, o bem se seguirá, se pensarmos no mal, o mal se seguirá.

Nos somos aquilo que pensamos no decorrer de todos os nossos dias. O problema de muita gente é deixarem que os outros pensem por eles. Lembremo-nos que nós participamos no nosso destino. E se temos a opção de escolha – devemos escolher a vida! O amor! A saúde! A felicidade!... Tenham todos um Natal muito FELIZ e um próspero Ano Novo!


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