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A luta pelo planeta sustentável
Augusto Machado
Nunca como hoje o tema
da sustentabilidade esteve
tanto na ordem do dia. A
situação da vida no Planeta,
em todas as suas formas, revela
o mais profundo desequilíbrio,
com prenúncios
evidentes de consequências
graves para todos os seres
vivos e para a Humanidade.
Os alertas fazem-se ouvir
nos discursos de cientistas e
técnicos que interpretam os
acontecimentos, no apelo de
um número cada vez maior
de grupos de indivíduos organizados
e de opinião de líderes,
que reagem ao sofrimento,
à miséria, à injustiça
que, apesar de todos os
avanços do século XX, longe
de terem sido resolvidos,
continuam a agravar-se.
Cada
um com a sua arte, com o
seu talento, contribuem para
derrubar o muro da ignorância,
a barreira da inércia.
Promover e defender um
mundo sustentável significa
garantir a vida presente e futura
do planeta, envolvendo
ambiente, saúde, educação,
emprego, consumo e direitos
humanos. Um objectivo que
só poderá ser alcançado se
contar com o envolvimento
de todos: pais e filhos, jovens
e idosos, empresas e trabalhadores,
políticos e cidadãos.
É fundamental criar uma
plataforma mínima de compreensão
deste novo paradigma
que se coloca a nível
mundial e nacional. “Salvar
o Planeta”, foi a mensagem
dos “Artistas pela Terra”,
num “Mega Concerto
Planetário” – um movimento
de milhões de vozes que
se ouviram em todo o Mundo
no passado dia 7 de Julho.
Cidadãos que acreditam que
é necessário informar e sensibilizar
para combater a ignorância.
Pois só a compreensão
levará à mudança de
comportamentos individuais
e colectivos e a implementação
de medidas e esforços.
Al Gore, ex-candidato a
presidente dos EUA, e a organização
do “Live Earth”
emitiram um apelo à comunidade
internacional. É um
pedido aos cidadãos do mundo
para que alterem as suas
vidas em prol de um Planeta
melhor. Um Planeta melhor
para as futuras gerações.
Eis os 7 pontos da “Convocatória
para a acção”:
1º.Exigir que todos os países
do mundo assinem, até 2009,
um tratado internacional que
contribua para a redução em
90 por cento das emissões poluentes
de CO2. Com a diminuição
do aquecimento global,
a próxima geração herdará
um Planeta mais saudável;
2º.Adoptar comportamentos
individuais que ajudem
à resolução da crise climática,
através da redução das
emissões do CO2 para a atmosfera.
Agir no sentido
de neutralizar o CO2 produzido
durante o dia-a-dia;
3º. Lutar para impossibilitar
a construção de novas
centrais incineradoras que
não tenham capacidade de
filtragem eficiente de CO2;
4º. Trabalhar para aumentar
a eficiência energética de
cada casa, local de trabalho,
escola e meio de transporte;
5º. Lutar por legislação e políticas
integradas que incentivem
o uso de fontes de energias
renováveis e reduzam a
dependência do mundo em
relação ao petróleo e carvão;
6º. Plantar novas árvores e
juntar os cidadãos em grupos
civis para ajudar na preservação
e protecção das florestas;
7º. Apoiar iniciativas que
invistam em soluções para
a resolução da crise climática,
contribuindo para a construção
de um mundo mais
sustentável, justo e próspero,
já neste século XXI.
Neste “Mega Concerto Planetário”,
Al Gore foi o impulsionador
e o rosto mais mediático
por detrás deste grande
evento – “Artistas pela Terra”,
cujo objectivo foi sensibilizar
cidadãos, corporações
e governos para adoptarem
comportamentos e políticas
capazes de fazer frente a
uma possível crise climática.
O SOS Terra – Live Earth
teve lugar nas principais cidades
de todo o Mundo. Em
Portugal o concerto foi na cidade
de Lisboa, no Pavilhão
Atlântico, onde juntou grandes
nomes da música nacional
como Xutos e Pontapés,
Teresa Salgueiro, Sérgio
Godinho, entre outros.
A história da luta para salvar
o Planeta já vem desde 1962.
Uma tal Rachel Carson,
cientista americana, no seu
livro, “Silent Spring” (Primavera
silenciosa), já nessa
altura desafiava o governo
americano e os agrónomos
ao mostrar os “perigos” do
uso indevido dos pesticidas.
“A Terra não é nossa; é um
tesouro que herdamos para
passar às gerações futuras”.
A frase foi proferida
pelo ex-secretário-geral
das Nações Unidas, Kofi
Annan, aquando da sua recente
passagem por Lisboa,
lembrando o compromisso
que países e cidadãos, deverão
ter para o equilíbrio de
um mundo que é de todos.

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