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Quezília Religiosa
J.J. Marques da Silva
Em Maio deste ano, a imprensa
do Brasil, durante a visita da Papa
Bento XVl, deu notícia de que ele
se esforçava por deter a onda do fervor
protestante (seitas evangélicas
como ele considera) nos países de
expressão latina, onde, “de acordo
com o censo brasileiro, a percentagem dos cidadãos,
que se qualifica de católica, caiu de 89% em 1980, para
74% no ano 2000”, enquanto os evangélicos cresceram
de 7, para 15%.
A Igreja católica romana tem intentado, juntamente
com o Governo brasileiro, possibilitar aos camponeses
uma boa porção de terra para cultivar, e melhores condições
de trabalho, no âmbito de alcançar mais aderentes
e de lhes oferecer mais confiança. Todavia (segundo a
mesma notícia), Luís Lugo, director do “Foro Prev.sobre
Religião e Vida Pública”, com sede em Washington,
diz que os evangélicos gerem um sentido mais íntimo e
pessoal de comunhão com Deus”. E daí a vitória do seu
progresso.
Nós não queremos deixar de referir, para exemplo, o
sucesso de um bem conhecido sacerdote da Igreja romana
do Brasil, que passou a imitar os pastores do movimento
pentecostal moderno, se fez também cantor (dança
e canta), é promotor de gravação de CDs, e cuja fama é de tal modo grande que já se espalha pelo mundo
inteiro. A mudança de sistema tem levado multidões aos
serviços religiosos da sua paróquia, e isto significa que
a religião tem de ir mais além do dogma, da repetição
dos antigos ofícios litúrgicos, e da doutrina que sofre
contestação. Não será necessária uma guerra de perseguição, à semelhança dos kamicases muçulmanos...
Entretanto acontece que sua eminência, o Papa Bento
XVl, tem continuado a proclamar a supremacia da Igreja
romana (claro que é sua função) mas surge agora outra
notícia bem desconcertante. A notícia é do dia 7 deste
mês de Agosto, e relata que os indígenas cristãos
evangélicos inauguraram em Maio um templo em “Nichnamtic”
município de “San Juan Chamula, Chiapas,
no México”. Os efeitos, provavelmente, oriundos da nova
propaganda religiosa, levou os crentes católicos da
região a conseguirem “escrito oficial que proibiu o culto
em “Nichnamtic”. Em consequência os evangélicos recorreram à Barra dos advogados, mas o azedume aumentou,
e em 22 de Julho esse templo foi destruído, sequestradas
7 mulheres indígenas “tzotziles” e dois adolescentes,
mais 25 famílias expulsas por pertencerem ao
grupo evangélico.
Perante o agravamento da situação, em 30 de Julho, “o
Governo local publicou o Boletim 3089 que dá conta do
acordo, entre católicos e evangélicos, de não-agressão”,
e uma indemnização de 450 mil pesos (45 mil dólares)
para cobertura dos danos avaliados em “Nichnamtic”. E
isto sem que os responsáveis tenham sido punidos!
Perguntamos: será moral ou lógico todo este motim?
Quem tem direito ao Céu, a final? A Bíblia tem esta escritura
que diz: “Ose 6:6 - Porque eu quero a misericórdia,
e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais
do que os holocaustos”. Claro está também: - “mais do
que a perseguição”. E não temos dúvida de que Sua
Santidade conhece a pergunta de Pedro a Jesus: “Quantas
vezes, Senhor, perdoarei? (Mat.18:21)
Se houver que perdoar...
Há muitas vezes algo de jactancioso ao final de julgamentos
que deixam rastos. Sabemos de um almocreve
que fazia venda de mercadorias pelas povoações, servindo-
se do seu cavalo para transporte. Um dia sua esposa
adoeceu gravemente e diziam que ia morrer. O pobre
do homem, que era descrente, não teve outro meio
senão juntar-se a alguns religiosos para “rezarem” a um
santo (imagem), e pedir-lhe a cura da esposa em troca
do cavalo. A esposa melhorou, e o infeliz, habituado a
patranhas, foi perguntar ao sacerdote se o ídolo queria o
cavalo ou o dinheiro do cavalo vendido na feira. Foi-lhe
dito que era o dinheiro do cavalo... E aqui o almocreve
conhecia truques. Levou à feira o cavalo e um galo, e
fez propósito de vender os dois juntos, pelo preço de
factura: - o cavalo 10 dólares, e o galo 5 mil dólares.
Claro que vendeu os dois juntamente e foi meter os 10
dólares na caixa do “santo”...
Em todos os casos de burla religiosa também há quem
saiba que está escrito: “Não erreis: Deus não se deixa
escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso
também ceifará.” (Gal.6:7). Não sabemos se os 450 mil
pesos, a dar, em resgate aos crentes chiapas, serão ou
não suficientes para reconstruírem a sua vida de comunhão
com Deus, e uns com os outros, na harmonia de
que, “Igreja” é: alem das pedras dum templo, “geração
eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido,
para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz;
(1ª Pedro 2:9). “Pedras vivas” para serem também família,
corpo espiritual e social, nos sucessos da humildade
vitoriosa, “como edificados casa espiritual e sacerdócio
santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis
a Deus por Jesus Cristo”(1º Ped.2:5).
Para nós, é sempre triste, que a “noiva de Cristo” (ou,
seja a Igreja) venha a terreiro provocar desacatos!

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