|
|
|
|
 |
|

Uma zanga entre duas irmãs gémeas
Augusto Machado
As protagonistas são as irmãs Salgado – Ana Maria e Carolina. A segunda foi quem primeiro se celebrizou,
depois de se ter tornado companheira de Pinto da Costa, presidente do FC do Porto, com quem viveu seis anos, antes de se separar dele e publicar o livro, “Eu Carolina”, um livro polémico onde não poupa o ex-companheiro. A segunda saiu do anonimato por ser irmã gémea da primeira – mas, sobretudo, por ter prestado declarações à justiça que põe em causa o que Carolina disse e escreveu.
Ora, esta história, aqui na Lusitânia, tem causado muito
incómodo a muita gente, sobretudo àqueles que supostamente
estiveram ou estão envolvidos no processo “Apito Dourado” – agora também denominado o “Apito Vermelho”.
A magistrada, Maria José Morgado, coordenadora do mesmo processo, convence a autora do livro, Carolina Salgado para, activamente, colaborar com a Justiça nas acusações contra Pinto da Costa. Carolina aceitou, deslocou-
se a Lisboa e disponibilizou-se para tudo o que fosse necessário: contou tudo à magistrada – o que sabia e, provavelmente, só para se vingar do ex-companheiro, contou também o que não sabia. E aqui começa o imbróglio.
As suas declarações foram reproduzidas com grande destaque enchendo páginas de jornais e, durante semanas, foi tema favorito para acirradas discussões.
E é nesta altura que entra em cena a irmã gémea, a Ana Maria. Prestando declarações no Porto, pondo em causa o depoimento de Carolina garantindo que houve cumplicidades
entre ela e elementos da equipa de Maria José Morgado, jurando que a própria magistrada telefonava amiúdo à sua irmã, que os investigadores sugeriam a Carolina o que havia de dizer, e que o seu depoimento, por isso, não tem autenticidade e não merece credibilidade.
As posições extremam-se e dividem os magistrados.
O Ministério Público do Porto apoia as declarações de Ana Maria, e a equipa de Lisboa, liderada pela magistrada
apoia as da outra irmã. Maria José Morgado por seu lado, reforça a sua confiança em Carolina e decide instaurar um processo contra a irmã, Ana Maria.
Entretanto, surgem outros protagonistas, dirigentes do futebol nortenho, juntam-se ao presidente do FC do Porto
para denunciar o que eles alegam ser uma campanha contra o Norte. Ou como o presidente do SL Benfica, Luís Filipe Vieira, vários jornalistas afectos ao clube que são apontados como ´colaboradores’ de Carolina (que assim se vê acusada de, após ter traído o ex-companheiro,
trair o seu próprio clube, prestando um serviço
ao rival Benfica).
Ora, aí temos nós, caros leitores, uma nova guerra entre
Porto – Lisboa. Tudo porque alguém se aproveitou, para um ajuste de contas, de uma desavença entre um homem e uma mulher. E, no meio de tudo isto, estas duas irmãs gémeas estão a ser utilizadas como bode expiatório
na guerra que existe entre adeptos e dirigentes destes dois clubes. Dir-se-ia que esta guerra de acusações
e insultos entre os dois clubes apenas serve como polarizador de tensões latentes que existem no país e só esperam um pretexto para manifestar. É o lado intriguista,
alcoviteiro, invejoso, vingativo, que o país nunca deixou de ter.
“É o orgulho do Norte e a sobranceria do Sul”, escreveu
um cronista da capital. Diríamos que é mais uma paixão doentia “clubística”, com os adeptos de dois grandes clubes portugueses, o Porto e o Benfica, a guerrearem
em barricadas opostas.

 |
|
|
 |

A Voz de Portugal é o mais antigo semanário de língua portuguesa no Canadá
Fundado no dia 25 de Abril de 1961, em Montreal, Quebeque, Canadá.
4231-B Boul. St-Laurent, Montreal (Quebeque) Canadá H2W 1Z4
Tel.: (514) 284-1813 - Fax: (514) 284-6150
|
|
|
|