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Deu-lhes o sono na primeira parte
Onze anos depois, Portugal voltou a empatar na Arménia.
Se em 1996 foi Oceano quem falhou uma grande penalidade no último minuto, ontem foi Bruno Alves quem desperdiçou o golo nos descontos. Mas o central português não pode ser crucificado por ter tentado
dar a vitória à sua equipa, pois o mal já vinha de trás, mais concretamente da forma como a Selecção Nacional
entrou no jogo, algo que não se compreende, já que os jogadores portugueses estavam avisados que outros dois candidatos ao apuramento, a Finlândia e a Polónia, já tinham perdido pontos em Erevan.
Portugal queria ganhar para receber os polacos em condições de os bater e assumir a liderança no Grupo A. Havia ambição e a equipa parecia estar preparada para contrariar o entusiasmo dos arménios. O estado do relvado
e o fuso horário teriam de ser obstáculos a ultrapassar.
Luiz Felipe Scolari chegou mesmo a dizer, na véspera do jogo, que tinha encontrado um ou outro jogador
com sono, algo normal devido à diferença horária,
mas ontem, pelos vistos, terá encontrado quase uma equipa inteira a dormir, pelo menos nos primeiros 15 minutos. Portugal entrou claramente a dormir e os arménios
fizeram o que quiseram, como ficou provado no lance do golo inaugural, marcado por Arzumanyan, de cabeça, após um livre. Uma falha colectiva que o adversário
aproveitou, provocando o delírio no estádio.
A euforia provocada pela vitória (1-0) no último jogo, diante da Polónia, e o golo inaugural deixavam os arménios
ainda mais galvanizados, sem que Portugal encontrasse
maneira de travar as investidas atacantes do adversário.
À excepção de Miguel, os restantes elementos do sector defensivo não se entendiam, cometendo erros de posicionamento, de recuperação de bola e também não conseguiam ser lestos a fazer a primeira fase de construção das jogadas. Com Tiago e Deco também a sentirem problemas em assumir o jogo ofensivo, restava Cristiano Ronaldo, tão marcado como voluntarioso. O esforço e a qualidade do extremo foram premiados com o golo do empate, concluído depois de mais um lance individual.
Portugal sem frescura física
Com o golo do Ronaldo, Portugal parecia encontrar finalmente
a tranquilidade que tanto necessitava e o golo do empate poderia ser um “balde de água fria” para a Arménia, mas não foi bem assim. O público continuou sempre a demonstrar o seu entusiasmo, empurrando a equipa para o ataque. Mesmo no segundo tempo, quando
a Selecção Nacional tentou assumir mais efectivamente
o controlo do jogo, os arménios nunca desistiram e continuaram numa correria louca. Sentiram que o empate
era um bom resultado e apostaram no contra-ataque,
até porque têm jogadores rápidos e com qualidade, sobretudo no ataque.
Luiz Felipe Scolari tentou então chegar à vitória. Trocou
Hélder Postiga por Nuno Gomes, que assim chegou aos 64 jogos pela Selecção Nacional e igualou Eusébio e Humberto Coelho, e substituiu Simão por Quaresma. Com um ataque mais fresco, Portugal fazia circular a bola a meio-campo, tentando as desmarcações dos avançados,
mas nem sempre isso foi conseguido, até porque o estado miserável do relvado também não ajudava. A entrada de Bruno Alves para o lugar de Jorge Andrade, que já tinha visto um cartão amarelo, foi mais uma tentativa
de conquistar os três pontos na Arménia, sobretudo
nos lances de bola parada. Os arménios recuavam no terreno e defendiam o empate com todas as suas forças, enquanto a equipa portuguesa sentia que fisicamente também não tinha frescura para aumentar o ritmo.
E quando o árbitro terminou a partida, o público vibrou, festejando um empate que castiga a postura de Portugal na etapa inicial do jogo.

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