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Acomodações e Liberdade
J.J. Marques da Silva

SANos tempos que decorrem apresentam-nos questões de ordem moral, política, social e religiosa, que nos dificultam estabelecer um diálogo conveniente e concreto com os nossos interlocutores. São as acomodações razoáveis, as restrições na imigração, os comportamentos da liberdade social, dita democrática, a direcção espiritual das novas seitas, e a adequada inspecção a fazer no caos das realizações artísticas, sobretudo com o nome de Jesus. Citemos alguns casos que abarrotam as colunas da imprensa e da Internet: “Um ex polícia russo diz ser o “novo Cristo”. Aparece na Notícia, paramentado e, na foto, rodeado de seus acólitos
que crêem ser ele a segunda encarnação de Jesus Cristo. Vivem acomodados às suas regras numa região da Sibéria com o nome “Morada da Alva”, a três mil quilómetros de Moscovo”. O que nos espanta é a facilidade
da acomodação: - vivem da lavoura que baste para o seu sustento, sem ambição monetária, pois o dinheiro só lhes é necessário para intercâmbio de algo que lhes seja essencial ao seu modo de vida. Não criam animais; não fumam; não consomem drogas, nem bebem álcool. Vissarion, o gurú, diz que não é deus, nem aceita que Jesus o seja. O seu povo considera-o como palavra de Deus a ordenar-lhes 61 mandamentos, um punhado de rituais e símbolos, como diz, e tudo dá certo e faz parte duma livre obediência!...

Espanta-nos, de facto, a facilidade que essa gente tem para se acomodar! Aqui no Quebec, não há facilidade para acomodação semelhante. Por isso não rejeitamos o que está escrito: -( “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno”(1ª João 5:19), mas não encontramos melhor explicação. Façamos agora uma comparação com o que se passa entre nós.

Sem leis proibitivas das liberdades pessoais, imaginemos que entregavam, aos imigrantes, a seguinte nota, ao serem recebidos para habitar, trabalhar, e prosperar neste país: - “Não há proibição alguma para a sua pessoa
nem para os seus familiares. Porém, quando preferir aproveitar-se do salário duma empresa, do ensino duma escola, dos serviços do hospital, etc., em algo diferente do seu uso pessoal, como vestuário, utensílios, ou prática de cultura, lembre-se que o direito não é seu. Pertence- lhes por aplicação adquirida e regulamentos. Você é livre para aceitar ou rejeitar; não lhe é favorável exigir ou reclamar. Continuará a ser livre depois de abandonar o domínio dos locais que preferiu livremente para seu proveito”. – Perguntamos: “haverá falta de razão para se acomodar?. E se alguém preferir integrar-se de modo a fruir dos múltiplos costumes, funções e domínios, não lhe será mais propício? “À terra onde fores ter, faz como vires fazer”; ainda se diz em Portugal.

Foquemos outros quesitos:
“Foi proibida uma película onde o personagem que representa Jesus bebe “Coca-Cola”; outra que apresenta as últimas 48 horas da vida de Jesus, mas o artista que faz o papel é de raça negra”; e outra, que se anuncia apresentará Jesus homossexual”!

Há quem sorria com o absurdo das anedotas. Que diremos nós ao atrevimento destas realizações? Que inspecção lhes pode ser feita num mundo que pretende ser livre? Respondemos: - o público sensato não terá dificuldade em perceber que um Jesus multifacetado de tal maneira é uma ignóbil mentira; diremos: é blasfémia! Desprezará qualquer das exibições que se apresentem, e concluirá que Deus tem o seu tempo para meter tudo em ordem. È a sua liberdade, aferida pela luz da razão, e emancipa-se na limpidez da sua consciência.

Consideremos algo sobre a direcção religiosa das seitas ou dos grandes organismos da religião: tomemos esta palavra no sentido global e colectivo. Ponhamos em destaque esta afirmação bíblica: - “Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos“ (Actos 4:12). Trata-se do nome de Jesus!

Suponhamos então cada gurú, caudilho, ou condutor de religião, grande ou pequeno, a dizer: - “fora do nosso campo religioso não há Salvação!”- como diz a maioria deles. “Nós temos a ciência do ensino, da interpretação,
da hermenêutica e da escatologia”, dirão também. Como julgaremos continuando livres? Simplesmente: Aquela afirmação será diminuída, invalidada ou substituída, mas restará legítima até perfeito conhecimento: - “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), se a vossa pesquisa tiver o folgo da autonomia
divina, que não escraviza ninguém!
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