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Mundial de Râguebi 2007
A glória dos Lobos

SAAo longo de quatro anos, os Lobos alimentaram o sonho de jogar uma fase final da Taça do Mundo de râguebi, cumpriram o sonho e, frente à poderosa Escócia, passaram com distinção. Quando (quase) todos esperavam uma derrota pesada e a rondar a humilhação, os pupilos de Tomaz Morais bateram-se com grande dignidade e mostraram que o râguebi luso tem qualidade e, por isso, conquistou um merecido lugar na prova da elite. Aliás, no fim do embate, Gavin Hastings, um dos melhores jogadores de sempre, não poupou elogios aos Lobos: “Estão no Mundial porque merecem!”. Um dia especial vivido de forma especial, como contou o capitão de equipa, Vasco Uva: “O momento em que todos sentimos que estávamos no Mundial foi quando chegámos ao estádio e tínhamos aquele mar de gente a receber-nos. Esperávamos muita gente dentro, mas não à entrada”.

Depois veio o aquecimento, outro momento importante, que permitiu aos portugueses aferir o verdadeiro tamanho dos escoceses, a diferença existente entre as duas equipas, que acabaria realçada – no écrã gigante – no momento em que os dois capitães de equipa escolhiam o campo ou a bola. Ainda antes do encontro começar, a forma como os jogadores cantaram o hino nacional tem lugar na história do país, pois não deve haver registo de momento tão forte. A diferença de estatura não intimidou os Lobos e isso viu-se ao longo do jogo, com várias fases de domínio luso.

No fim, veio o grande sentimento de alegria pela prestação. Mas também analisaram os erros, antes de poderem ir comemorar com os familiares, muitos, que se deslocaram a Saint-Étienne e com o enorme grupo de adeptos que foram de Portugal e também com a comunidade portuguesa radicada em França, que marcou forte presença. A reacção dos jogadores da selecção portuguesa ao anúncio dos neozelandeses de que iriam ter em conta, no jogo do próximo sábado, as diferenças entre as duas equipas, foi de minimizar a questão. Após o primeiro impacto, e ainda sob os efeitos de um choque inesperado, manifestaram alguma indignação pela falta de consideração.

“Não precisamos que tenham pena de nós, não estamos cá para isso”, confessou Pedro Carvalho, o autor do até agora único ensaio português. Mas seria o próprio capitão, Vasco Uva, a minimizar a situação: “Eles até podem ter dito isso, que vão fazer isto e aquilo, mas quando entrarem em campo é para jogar a fundo, a única forma que eles sabem”. Já sobre o Haka, que os All Blacks acusam os italianos de não terem respeitado, garantiu: Nós vamos respeitar o Haka. Escócia 56 - 10 Portugal


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