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Onda de assaltos violentos
Augusto Machado

SA Nas últimas semanas, o país viu-se confrontado com o mundo subterrâneo da criminalidade na vida nocturna e o numero de grupos armados a operar em território nacional, segundo a Polícia Judiciária (PJ), tem aumentado.

Quatro mortes à porta de bares e discotecas na cidade do Porto, mais dois alvejados a tiro durante a noite em Lisboa, falta de qualquer controlo policial, queixam-se os donos dos estabelecimentos. Pior: responsáveis da Polícia de Segurança Pública (PSP) confessam a sua impotência, um director da PJ, falando abertamente à imprensa deixa o aviso: “é mesmo de temer tudo isto – há polícias a fazerem biscates como seguranças nesse submundo da marginalidade”.

Há muito que se sabe que a maioria dos bares, discotecas, casas de alterne e estabelecimentos afins da vida nocturna funcionam como capa e território protegido, por seguranças armados e ilegais recrutados no basfond, para negócios ilegais de drogas, branqueamento de dinheiro sujo, prostituição, venda de armas e outras actividades à margem da lei, perante a complacência das autoridades. Infelizmente, só agora é que o ministro da Administração Interna se apercebe que existe uma guerrilha urbana entre bandos rivais, na mais absoluta das impunidades. E isto não é nenhuma “ave de mau agoiro” que o profetiza – é o país que temos - são as próprias autoridades, desde há muito tempo, a lamentar a falta de meios para combater estes gangues armados. Perante este cenário de tiroteio, mortos e medo a insegurança é generalizada. Os roubos a bombas de gasolina

(o mais recente, aqui no Alto Minho, em Valença, onde mataram, à queima-roupa, um empregado, e os autores do crime nunca são apanhados (ou raramente), os assaltos a casas particulares são constantes, esses já são tão comuns quase passam despercebidos pela comunicação social, a ourivesarias, (em 30 dias foram assaltadas duas aqui no Norte, uma em Caminha, a dois quilómetros da residência do autor destas linhas e outra em Viana do Castelo, precisamente no mesmo dia em que estavam reunidos nessa cidade os ministros dos negócios estrangeiros da União Europeia e até hoje os larápios ainda não foram encontrados.

Depois temos os frequentes assaltos a bancos; a semana passada dois indivíduos armados assaltaram o BPI em Viseu. Os gatunos utilizaram uma bolsa preta de guardar guitarras que serviu de esconderijo para as duas pistolas e para a shot-gun utilizadas no assalto. A mesma bolsa viria a transportar o dinheiro roubado. Na tentativa de fuga utilizaram um Jaguar com matrícula francesa o qual acabaram por abandonar numa mata fugindo a pé por entre o matagal quando perseguidos pela polícia. Alguns dias depois os larápios foram capturados ainda na região de Viseu. Aparentemente, os dois são de nacionalidade francesa e com um longo cadastro criminal.

É difícil as pessoas manterem-se serenas neste ambiente inseguro e não temer o perigo anunciado. O próprio dono da ourivesaria e do museu de peças de ouro de artesanato regional, de um valor incalculável, em Viana do Castelo, desabafava: “Isto é uma vergonha, os ladrões, em pleno dia, abalroaram a carrinha contra a porta, armados com metralhadoras, limparam todo o ouro da ourivesaria e do museu e puseram-se em fuga depois de dispararem alguns tiros à saída. E a nossa polícia nada pôde fazer – enquanto estes gatunos andam armados com metralhadoras, os nossos polícias têm apenas fisgas para os combater”.

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