|
 |
|
|
 |
|
Lisboa no GUINNESS
Manuel Carvalho
Lisboa está deslumbrante. Desde o
Parque das Nações, passando pela
Baixa Pombalina, até às Docas, seguindo
de Belém, pela linha de Cascais, até
ao mar, é uma cidade de mil encantos
e que nos surpreende em cada esquina e
em cada trajecto.
Diz a lenda que foi fundada por Ulisses
no decorrer da sua interminável viagem
de regresso a Ítaca. Foi a Alis Ubba dos
fenícios. Os romanos chamaram-lhe Olisipo.
Os árabes al-Lixbûnâ. Os cristãos
reconquistaram-ne em 1147. Desde então
tem alma portuguesa.
Erguida à beira-Tejo, espreguiçada por
sete colinas, palco de mil mestiçagens, foi
ao longo dos séculos cantada por legiões
de poetas e trovadores rendidos aos seus
encantos e beleza sem par. Mas foi pela
voz do fado, num frutuoso entrelaçar de
emoções de poetas e fadistas, que Lisboa
galgou fronteiras e alcançou finalmente a
imortalidade.
Quem não conhece o célebre poema de
Ary dos Santos, Lisboa Menina e Moça,
cantado por Carlos do Carmo?
No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Não menos famoso é o Maria Lisboa de
David Mourão-Ferreira, que Amália Rodrigues
enriqueceu com a sua incomparável
voz de deusa.
É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração , a fragata.
Em vez de corvos no chaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no bail e com o mar.
É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas velas o latido
do motor du ma traineira.
Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
seu apelido: Lisboa
Num rasgo genial, Vitor Duarte Marceneiro,
neto do grande fadista Alfredo
Marceneiro, sonhou colocar Lisboa no
“Guinness Book” como A Cidade mais
Cantada do Mundo. Corajosamente, deitou
mãos à obra e para o efeito já reuniu
mais de 1000 temas, entre fados, marchas
e canções. Os interessados poderão
acompanhar o desenvolvimento do projecto
no site: http://lisboanoguiness.blogs.
sapo.pt/
Com a sua imensa generosidade, o poeta
e declamador luso-canadiano Euclides
Cavaco aderiu desde a primeira hora
à feliz iniciativa, compondo e gravando
expressamente para o efeito um poema
de louvor à bela capital de Portugal:
Ó Lisboa minha musa
À beira Rio plantada
És a cidade mais Lusa
Desta Pátria minha amada.
(...)
Lisboa a mais cantada. Lisboa a mais
amada. Lisboa de braços abertos à nossa
espera. Apetece escrever e cantar como
Adriano Correia de Oliveira:
(...)
Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as
águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio
(...)

 |
|
|
 |

A Voz de Portugal é o mais antigo semanário de língua portuguesa no Canadá
Fundado no dia 25 de Abril de 1961, em Montreal, Quebeque, Canadá.
4231-B Boul. St-Laurent, Montreal (Quebeque) Canadá H2W 1Z4
Tel.: (514) 284-1813 - Fax: (514) 284-6150
|
|
|
|