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O caso da pequena Maddie
Augusto Machado
Há vários factos estranhos no desaparecimento da
pequena inglesa. Madeleine McCann, 4 anos, desapareceu
a 3 de Maio, 2007, na Praia da Luz no Algarve.
Desde então o circo mediático montado em torno do
desaparecimento da pequena Maddie nunca mais parou.
O caso tem sido
difundido à escala
planetária.
Mas vamos àquilo
que a Polícia
Judiciária acha
serem factos estranhos:
porquê
só duas horas
depois do desaparecimento
foi
chamada a Polícia?
Talvez tenha
sido uma forma
de ganhar tempo,
para apagar
eventuais provas
comprometedoras.
Outro facto estranho: o pai da criança passou o resto
dessa noite a contactar jornalistas ingleses, informando,
em primeira mão, a Sky News. Poderá dizer-se que
o fez para ‘alertar o mundo’, uma forma de desviar as
atenções, lançando no mundo inteiro a ideia do ‘rapto’
e afastando outras hipóteses. Além disso, não é muito
normal um pai em estado de choque ter a presença de
espírito necessária para se pôr a contactar jornalistas,
quando ainda por cima tinha amigos no local que poderiam
fazer esse trabalho. Tanta demora a avisar a Polícia
e tanta rapidez a informar as televisões é algo, segundo
a Judiciária, não parece
bater certo.
Mais um facto entranho:
o pedido de
audiência ao Papa e
a ida a Roma. Esta
iniciativa pode ter
sido exclusivamente
ditada pelas
tendências religiosas
do casal; mas
também há quem
pense que a visita
teve como principal
objectivo continuar
a atrair a atenção
dos media e reforçar
a ideia do rapto,
numa altura, aliás, em que de todo o mundo chegavam
ofertas em dinheiro para pagar o resgate a um eventual
raptor.
Também foi estranho a conferência de imprensa após a
divulgação da notícia de que houvera um volte-face na
investigação e a Polícia estava convicta de que a menina
morrera no apartamento dos McCann. Aqui, o normal
seria que os pais perdessem a cabeça, reagissem em fúria – porque, em boa verdade, estavam a ser acusados
da morte da filha ou, pelo menos, de cumplicidade nesse
crime; ora os pais reagiram com inesperada calma,
mesmo com frieza, usando um discurso racional que
contrastava em absoluto com a suspeita horrenda que
sobre eles pesava.
Mais estranho ainda foi o pacto de silêncio entre os pais
de Maddie e os amigos que estavam com eles no Algarve;
as interpretações deste silêncio, segundo os investigadores,
destinava-se a controlar a informação de modo
a que houvesse uma única versão dos acontecimentos (a
versão dos pais), evitando possíveis contradições.
Ora, se não existisse algo estranho no desaparecimento
da menina, se tudo fosse transparente, para quê esta cortina
de silêncio? E depois o estranho facto de o casal regressar à Inglaterra depois de ter sido constituído arguido.
A partir do momento em que passaram de vítimas a
suspeitos. Os pais da criança teriam a vida transformada
num pesadelo ainda maior: seriam massacrados pelos
jornalistas e pelo povo; aqueles que antes lhes dirigiam
palavras de incentivo e esperança à porta do apartamento
e à entrada e saída da igreja passariam a dirigir-lhes
insultos e (quem sabe?) a quererem fazer justiça pelas
próprias mãos. São factos estranhos os quais a Polícia
pensa que todos juntos, parecem concorrer no mesmo
sentido. Que é este: os pais da pequena Maddie e os
amigos sabem mais do que o que disseram sobre o que
aconteceu naquela noite fatídica num apartamento da
Praia da Luz no Algarve.

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