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Mário Silva, Deputado de Davenport,
Ontário e Porta-Voz oficial da Oposição...

Natércia Rodrigues


SAA Voz de Portugal: Mário, aonde nasceu e quantos anos tinha quando veio para o Canadá?
Mário Silva: Nasci na freguesia de Santa Barbara, concelho da Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores. Vim para o Canadá quando tinha nove anos de idade.

A.V.P.: Vem de uma família grande? Tem mais irmãos?
M.S.: Se contar os meus tios, tias, primos e primas, a minha família é bastante grande. Tenho uma irmã e três irmãos.

A.V.P.: Descreve como se passou sua infância e a sua juventude…
M.S.: A minha infância e juventude passaram-se na escola e com os amigos. A família sempre foi importante e ainda faz parte fundamental da minha vida. Desde cedo aprendi o valor da educação e a importância do trabalho e fui muito assíduo nos meus estudos. Sempre apreciei o trabalho do meu pai e tudo o que fez ele por mim, mas sempre quis ir mais longe, e trabalhei por isso.

A.V.P.: Seus pais encorajaram-lhe a seguir os seus estudos?
M.S.: Sempre.

A.V.P.: Qual a universidade que frequentou e qual o curso que tirou?
M.S.: Frequentei o University College da Universidade de Toronto e obtive uma licenciatura em Ciências Políticas. Também obtive um Certificado de Língua Francesa de “La Sorbonne” na Universidade de Paris. Actualmente sou candidato a mestrado no Programa de Direito Internacional sobre os Direitos Humanos, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

A.V.P.: Quando nasceu o seu interesse pela política?
M.S.: Desde muito cedo… Comecei o meu envolvimento activo na política durante os meus anos universitários, onde fui muito activo no governo estudantil.

A.V.P.: Foi difícil entrar para a política?
M.S.: Nada é fácil na vida. O sucesso é a medida do trabalho, da ambição, da preparação, do conhecimento do nosso médio e da perseverança. Tudo o que tenho conseguido é o fruto do meu trabalho e é uma fonte de orgulho pessoal.

A.V.P.: Porquê o Partido Liberal?
M.S.: Porque é o partido que melhor exprime as minhas convicções políticas. É um partido que acredita num Canadá justo, igualitário e independente mas encoraja o desenvolvimento de uma economia sustentável num contexto norte americano e internacional. É também o partido do ‘Canadian Charter of Rights and Freedoms, o que faz do Partido Liberal o único partido a sempre defender os direitos dos Canadianos no contexto deste documento constitucional de grande importância.

A.V.P.: Qual é o seu título?
M.S.: Sou o Deputado pelo Círculo eleitoral de Davenport em Toronto e o Porta-voz da oposição oficial em matérias de trabalho.

A.V.P.: Como se passa o seu dia de trabalho? Quais as suas obrigações?
M.S.: Começo cedo com um sumário das actividades parlamentares junto do meu pessoal. Depois disso dirijo- me ao parlamento onde assisto às várias reuniões dos comités parlamentários dos quais faço parte. Da parte da tarde, depois da reunião da bancada parlamentar Liberal, vou ao hemiciclo onde assisto e participo no ‘Question Period.’ Este debate diário é muito importante pois é a única oportunidade da Oposição pedir contas e explicações ao governo. Depois disso é a sessão de votos dos vários projectos-lei na agenda legislativa. Depois dos votos regresso ao meu gabinete onde realizo as várias tarefas acumuladas durante o dia.

A.V.P.: Tem muito contacto com o seu público?
M.S.: Tento manter o contacto com o público ao assistir a reuniões semanais no meu gabinete em Toronto com
aqueles que desejam falar comigo. A comunidade de Davenport é também muito dinâmica, há vários eventos comunitários organizados durante o ano no meu círculo eleitoral. Tento participar na maior parte possível. Isto dá-me a oportunidade de falar com o meu público, mas sobretudo de ouvir as necessidades e as sugestões das pessoas que represento.

A.V.P.: Esteve em Montreal aquando das eleições parciais em Outremont... que fez para ajudar na campanha e como achou o cidadão Montrealense?
M.S.: Esta campanha foi muito renhida. Junto de membros influentes da comunidade portuguesa de Montreal, convencemos os portugueses a dar o seu apoio ao candidato Liberal, mas infelizmente não foi suficiente. O cidadão Montrealense é muito envolvido e informado politicamente, talvez pelo facto do debate sobre o lugar do Quebeque no Canadá estar sempre vivo na mente das pessoas.

A.V.P.: As pessoas interessam-se nas eleições e em irem votar?
M.S.: É para mim uma causa pessoal incentivar as pessoas a votarem, ainda mais aqueles que fazem parte da comunidade Portuguesa. Os luso-canadianos têm sido sempre pouco representados politicamente, eu continuarei a trabalhar pare representar a comunidade em Ottawa, mas espero algum dia ter mais colegas lusocanadianos no parlamento e ver mais portugueses nas assembleias municipais, provinciais e federais. Existe uma certa desilusão da população em geral para com as entidades públicas e políticas; é de grande importância para mim trabalhar para dar ao público mais razões de ter confiança nos seus representantes.

A.V.P.: As eleições já terminaram e o Sr. Jocelyn Coulon, Candidato oficial pelo Partido Liberal em Outremont perdeu as eleições... Fale um pouco sobre esta derrota e como prejudica o Partido.
M.S.: O resultado diz-nos uma coisa: o povo do Quebeque está a mudar. Como o chefe do nosso partido disse,
esta é uma oportunidade para aprender dos nossos erros. Já não podemos contar com o voto incondicional
dos Montrealenses, agora temos que trabalhar mais arduamente para dar razões aos habitantes do Quebeque
apoiarem as nossas ideias e o nosso partido e, estou convencido que vamos conseguir fazê-lo e Outremont
voltará a optar pelo encarnado Liberal.

A.V.P.: Projectos a curto e a longo prazo...
M.S.: A curto prazo, continuar a representar o meu círculo eleitoral e enquanto porta-voz da Oposição em matérias de trabalho, a reconciliar os desejos de trabalhadores, líderes sindicais e patrões. A longo prazo, fazer parte da equipa de Stephane Dion durante a próxima vitória eleitoral que, espero, fará do nosso chefe Primeiro Ministro, depois disso veremos o que o futuro trará.

A.V.P.: Uma mensagem ao cidadão em geral...
M.S.: O trabalho e investimento nas futuras gerações pagam. Sempre que forem chamados às urnas, votem.

A.V.P.: Uma mensagem aos jovens...
M.S.: Os estudos, a ambição e a perseverança pagam, e é claro, sempre que forem chamados às urnas, votem.

 

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