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Ensino português no Canadá
nunca foi reconhecido...
Sylvio Martins
Durante o Verão, várias famílias foram ao Consulado
Português de Montreal para receber o famoso carimbo
de reconhecimento de ensino escolar português.
Estas famílias foram informadas que o Cônsul-Geral de
Montreal desistiu de assinar estes documentos. A minha
primeira reacção foi muito negativa, frustrado contra o
consulado, que autenticava estes documentos aos alunos
das escolas. Ademais, os Directores das escolas diziam
que as escolas eram reconhecidas em Portugal e que os
estudos portugueses eram aqui válidos. Sábado, dia 29
de Setembro, a minha percepção do valor destas escolas
mudou completamente.
Durante duas horas, vários directores, professores, alunos
e pais, que queriam saber o que estava a acontecer,
deslocaram-se à Escola Santa Cruz, afim de assistir a
uma conferência dirigida pelo Cônsul-Geral de Portugal
em Montreal, Carlos de Oliveira. Ele informou que o ensino
do Português, reconhecido pelo seu grande valor na
comunidade, não é autenticado pelo Ministério da Educação
de Portugal, e isto, para qualquer que seja a escola
portuguesa que frequenta. É difícil aceitar essa realidade
para todos os presentes, especialmente para os estudantes,
que dedicaram hora após hora, ano após ano… Os
diplomas que recebem os estudantes ao fim do sexto ano
não têm valor nenhum! O mesmo acontece com os nono
e décimo-primeiro anos, fases difíceis de completar. E
porquê? Para se merecer um diploma sem valor… Um
papel com algumas palavrinhas, um desenho, e, o mais
importante, uma assinatura que não é reconhecido pelo
Ministério da Educação.
De um ponto de vista racional, devem compreender que
não é o Consulado que pode legalizar um documento
como este, mas sim um membro do Ministério da Educação.É como pedir ao presidente da Câmara Municipal de
Montreal de assinar o seu diploma para dar-lhe mais importância– o que tornar-se-ia completamente inútil. O
importante é a aprendizagem e o desenvolvimento da sua
criança, mesmo sem um papel justificativo.O ensino nas
escolas portuguesas da comunidade não é reconhecido
pelo Governo, nem os boletins e certificados que receberam
durante todos estes anos. Em Portugal, o director de
cada escola deve decidir se é aceitável e adequada a educação
que recebeu num lugar de ensino de Português no
Canadá. Na maioria do tempo, a criança deverá passar
um exame de equivalência para determinar o ano em que
poderá continuar os seus estudos. Alguns terão beneficiado
da sua educação no Canadá, muitos não.
Podemos finalmente ver o que representam realmente
as escolas portuguesas da grande região metropolitana.
Escolas privadas, onde o reconhecimento não é assim tão
importante como imaginavam. Mas, afinal, o importante
de tudo isto é a aprendizagem e a continuação da nossa
cultura, fora do nosso país de origem.
Agradecemos o Cônsul-Geral de Portugal, Carlos de
Oliveira, para esses esclarecimentos quanto ao valor real,
ou seja fictício, desses diplomas e certificados. Obrigado
ao professores que sacrificam todos os fins-de-semana,
porque não estão a enriquecer de dinheiro, mas a enriquecer
a próxima geração de luso-descendentes. E, finalmente,
aos directores das escolas, que vão continuar a
luta para legalizar os nossos diplomas.
Sabia que...
EQUIVALÊNCIAS DE
ESTUDOS ENTRE PORTUGAL E O CANADÁ
Em Agosto de 2007, foi assinado no Canadá um acordo
entre Portugal e o Canadá sobre a equivalência dos estudos
nos seus países. Os estabelecimentos de ensino ou
universidades estabelecem os seus regulamentos respeitante
aos requisitos de admissão, e avaliam individualmente
os conhecimentos dos candidatos. Para se informar
sobre as equivalências no Canadá dos estudos secundários
ou universitários realizados em Portugal, terá
de contactar a escola, centro de ensino ou a universidade
escolhida. Isto foi proclamado no Ministério da Educação
(NARIC - National Academic Recognition Information
Centre).
CARACTERIZAÇÃO DO ENSINO
No Canadá, os Cursos de LCP distribuem-se por cincoáreas consulares: Montreal, Ottawa, Vancouver, Winnipeg
e Toronto, distribuindo-se a maioria dos cursos pelasáreas consulares de Toronto e Montreal. O ensino do
Português está organizado nos moldes da Rede Particular,
com ou sem reconhecimento oficial, cuja dinâmica
de funcionamento depende das entidades promotoras:
associações, clubes ou entidades públicas e privadas, que
procedem ao recrutamento dos professores e assumem
todos os encargos resultantes do funcionamento dos cursos.
Estes cursos funcionam após o horário escolar canadiano.
O Governo Português, através do NEPE, apoia
este ensino, atribuindo subsídios aos cursos, enviando
anualmente material didáctico e ainda patrocinando e/ou
promovendo Acções de Formação destinadas à actualização
dos efectivos docentes, que ministram este ensino.
LÍNGUA PORTUGUESA
COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA
O Ensino da Língua Portuguesa existe no Canadá como
língua internacional desde 1977. Funciona em regime integrado,
nas escolas do sistema público em que o número
de alunos de origem o justifica, ou em horário extra-curricular
ao fim do dia ou aos sábados de manhã. Observase
um crescente interesse na oferta de cursos de língua
portuguesa em estabelecimentos de nível superior. As
competências adquiridas em Língua portuguesa podem
ser traduzidas em créditos para os alunos universitários.
Existem cursos em regime particular e em regime integrado
para adultos, quer de origem portuguesa quer para
estrangeiros, numa perspectiva de Educação Contínua.

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A Voz de Portugal é o mais antigo semanário de língua portuguesa no Canadá
Fundado no dia 25 de Abril de 1961, em Montreal, Quebeque, Canadá.
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