|
|
|
|
 |
|

Benfica-Sporting, 0-0
Empate em tudo, até nas polémicas. O derby do centenário
foi tão equilibrado que não encontrou uma
equipa capaz de chamá-lo seu. Com períodos de domínio
repartido, o nulo entre Benfica e Sporting não serve
os interesses de qualquer uma das equipas nas contas da
Liga, mas acaba por ser desfecho adequado a uma partida
que oscilou demasiadas vezes entre o empolgamento e o
bocejo. A arbitragem de Pedro Henriques não conseguiu
fugir ao protagonismo, com queixas dos dois lados.
O primeiro quarto de hora foi cheio de promessas. A
emoção começou logo no primeiro minuto, quando Di
Maria combinou com Rui Costa e o 10 da Luz viu o seu
remate travado in extremis pelo carrinho de Abel. A
resposta do Sporting só demorou um minuto: Romagnoli
trabalhou bem na direita e libertou Miguel Veloso, cujo
remate forte foi travado com dificuldade por Quim.
De uma penada ficavam definidos os pontos fortes: do
lado do Benfica, a articulação entre Rui Costa e Di María
proporcionou mais 15 minutos de futebol fluido, com a
bola a rondar com frequência a área de Stojkovic. Do lado
do Sporting, a facilidade com que os leões exploravam o
seu flanco direito obrigava Léo a horas extraordinárias e
arrastava Katsouranis para longe da zona central, já que
Moutinho, Abel, Yannick Djaló e até Romagnoli
apareciam com frequência em espaços muito próximos.
Até aos 20 minutos, a qualidade do futebol foi alta, com
Rui Costa no centro das movimentações encarnadas e
com Djaló na origem de quase todas as ameaças leoninas.
Uma dividida na área entre Katsouranis e Romagnoli,
com o argentino a ficar no chão, suscitou os primeiros
protestos contra a arbitragem (20 m). Por essa altura a
chuva passava. E o bom futebol também.
Miguel Veloso começava a acertar agulhas na marcação
a Rui Costa e Di Maria, esquecido na direita, tornava-se
personagem secundária. Sem que a dupla uruguaia fosse
capaz de empunhar a batuta, o Benfica tornava-se
dependente de passes longos e especulativos, perdendo
clareza de ideias. O Sporting, sempre mais arrumado,
mantinha o jogo sob controlo sem lograr momentos de
desequilíbrio. Foi Djaló o primeiro a consegui-los: aos 37
minutos, aproveitou um mau passe de Katsouranis para
assustar Quim com um remate cruzado. Três minutos
depois, colocou Vukcevic na cara do guarda-redes do
Benfica, que conseguiu fazer a mancha. O intervalo
chegava pouco depois, com o Sporting na mó de cima e o
jogo a deixar um sabor a promessas incumpridas.
Era ao Benfica que cabia mudar o estado de coisas e um
tiro de Maxi Pereira, um pouco ao lado, anunciou que
essa mudança vinha a caminho (48 m). Mais em força do
que em jeito, a pressão dos encarnados voltava a criar
dificuldades ao meio campo dos leões, que aos 56 minutos
respiraram de alívio com uma falha incrível de Nuno
Gomes, após bomba de Rui Costa que Stojkovic defendeu
para a frente. Num derby talhado para ser decidido por
detalhes, o falhanço do ponta-de-lança tornava-se ainda
mais pesado. Sentindo perder-se a batalha do meiocampo,
com Rui Costa a ter novamente espaço para
empunhar a batuta, Paulo Bento lançou Farnerud para o
lugar do ineficaz Vukcevic e equilibrou as coisas, também
porque Camacho não arriscava reforçar o poder de ataque
com Cardozo ao lado de Nuno Gomes e o Benfica não
traduzia na área o seu ascendente nesta fase do jogo.
Romagnoli, em noite inspirada, conseguia voltar a pegar
no jogo e a colocar o meio-campo encarnado sob pressão.
Aos 71 minutos, com o Sporting novamente melhor, a
bola foi ao braço de Katsouranis na área encarnada, Pedro
Henriques hesitou e, depois de ouvir o seu auxiliar,
decidiu-se por marcar bola ao solo, para desespero dos
leões. O Benfica sentiu o perigo, voltou a crescer e chamou
a si os minutos finais. No último lance da partida, o recémentrado
Adu foi tocado por Moutinho na área e Pedro
Henriques voltou a decidir por omissão, equilibrando o
saldo entre as duas equipas e encerrando o «derby» com
um desfecho certo, que chegou por linhas tortas.

 |
|
|
 |

A Voz de Portugal é o mais antigo semanário de língua portuguesa no Canadá
Fundado no dia 25 de Abril de 1961, em Montreal, Quebeque, Canadá.
4231-B Boul. St-Laurent, Montreal (Quebeque) Canadá H2W 1Z4
Tel.: (514) 284-1813 - Fax: (514) 284-6150
|
|
|
|