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Revolução no Chelsea

SAPara um treinador mais do que habituado ao mediatismo, José Mourinho atingiu um novo patamar nesse particular, mas não necessariamente pelas melhores razões. Com a sua equipa reunida num cinema londrino para assistir ao novo documentário sobre o clube, intitulado “A Revolução do Chelsea”, Mourinho informou os seus jogadores por mensagens digitais relativamente à sua decisão de deixar o clube.

Divergências com Abramovich
As suas divergências com o dono do emblema de Stamford Bridge, Roman Abramovich, eram bem conhecidas. O desejo do bilionário russo em ver a equipa praticar um estilo de jogo atractivo e ofensivo contrastava com o pragmatismo do técnico português. Para além disso, Mourinho não ficou propriamente satisfeito com a nomeação de Avram Grant para o cargo de director desportivo, o mesmo acontecendo com a decisão de tornar Frank Arnesen no responsável máximo pela prospecção de jogadores e pelas camadas jovens. O facto de ter sido “aconselhado” a incluir Michael Ballack e Andriy Shevcehnko (ambos recrutados por Abramovich) na sua equipa também não terá ajudado. Algo tinha de acontecer...

Discussões
O facto de Mourinho e Abramovich terem trabalhado juntos durante tanto tempo talvez seja ainda mais surpreendente do que a repentina saída do antigo treinador do FC Porto. Histórias de discussões e as dúvidas em redor do futuro de Mourinho encheram as últimas páginas da imprensa inglesa na época passada, numa campanha em que o Manchester United FC levou a melhor na luta pelo título. O triunfo na Taça de Inglaterra não serviu de grande consolação, até porque o Chelsea tinha sido eliminado pelo Liverpool FC nas meias-finais da UEFA Champions League pela segunda vez nos últimos três anos. Quando o Chelsea protagonizou um arranque tremido na presente temporada, a pressão aumentou ainda mais. Um empate a uma bola na recepção ao Rosenborg BK, perante apenas 24,000 espectadores, acabou por precipitar tudo.

Sem medo
O ambiente sombrio vivido em Stamford Bridge na passada terça-feira contrastou vivamente com a forma como Mourinho se apresentou ao futebol inglês há quatro anos. Tendo conduzido o FC Porto à conquista da Taça UEFA na época anterior, o treinador português fez ainda melhor em 2003/04, quando venceu a UEFA Champions League, numa campanha onde afastou, entre outros, o Manchester United. O golo ao cair do pano de Costinha na segunda mão apurou o FC Porto para os quartos-de- final, ficando célebre a imagem de Mourinho com os polegares levantados em direcção aos adeptos do Manchester United. Essa seria a primeira de muitas ocasiões em que o percurso de Mourinho se cruzou com o de Sir Alex Ferguson, treinador do United. A sua nomeação como treinador do Chelsea, ocorrida após ter vencido a UEFA Champions League em Maio de 2004, proporcionou esse duelo com o escocês, que subiu de tom quando o Chelsea venceu a Premier League nas duas primeiras temporadas de Mourinho em Londres. O autoproclamado “Special One” tinha feito
jus às suas próprias palavras.

Transformação
Mourinho transformou por completo o Chelsea. De uma equipa entusiasmante mas vocacionada para as competições a eliminar, o técnico português construiu um conjunto consistente capaz de vencer a Premiership. Sob o comando de Mourinho, o Chelsea sagrou-se campeão inglês pela primeira vez em 50 anos, isto para além de ter conquistado todos os troféus domésticos. Mas isso não chegou para Abramovich. O russo queria a UEFA Champions League e nessa prova Mourinho não logrou fazer melhor do que o seu antecessor, Claudio Ranieri, com as duas meias-finais perdidas para o Liverpool a serem o melhor que conseguiu nas competições europeias.

E agora?
Poucos esperariam que fosse José Mourinho o primeiro treinador a deixar um clube da Premier League na presente temporada, mas o antigo adjunto do FC Barcelona não deverá ficar muito tempo no desemprego. Quem sabe se tal não vai acontecer ao leme de outro clube da Premiership? Para o Chelsea, a preocupação mais premente diz respeito à deslocação de domingo ao terreno do Manchester United. Será um baptismo de fogo para Grant, que sucedeu a Mourinho e que irá liderar os “blues” pela primeira vez em Old Trafford. O antigo seleccionador de Israel, de 52 anos, ingressou no Chelsea após ter desempenhado o cargo de director do futebol no Portsmouth FC, tendo agora pela frente uma tarefa hercúlea: eclipsar o sucesso do “Special One”.
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