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Viadutos do nosso
descontentamento
António Vallacorba
Perfez-se no domingo passado um ano do desmoronamento
de uma secção do viaduto de la Concorde,
em Laval, no dia 30 de Setembro de 2006, causando
os prejuízos materiais que se conhecem e, pior ainda, a
perda de vidas.
Trata-se, pois, por todas as consequências óbvias que
teve, de uma efeméride bastante sombria.
A semana passada, soube-se, no crescendo expectante
da passagem desta infeliz efeméride, que o jovem Gabriel
Amel, 9 anos, e cujos pais faleceram nesse nefasto
dia, ainda se encontra à espera de um pedido de desculpa
da parte do Governo provincial. O seu chefe, Jean
Charest, questionado sobre o assunto, justificou o seu
silêncio por estar a aguardar o resultado final da respectiva
investigação.
Qualquer que venha a ser esse resultado, a lógica do
clima de cumplicidade que normalmente rodeia a maioria
dos políticos e burocratas, assegura-nos que ninguém
irá ser encontrado culpado, despedido ou processado!
Depois, e sabendo-se, graças às inspecções presentemente
em processo, do estado degradante em que se
encontram muitos dos demais viadutos provinciais, subitamente
se instalou em muitos de nós um senso de insegurança
sempre que passamos por uma dessas estruturas.
E o mesmo se poderá dizer das pontes que ligam
a ilha de Montreal à de Laval, as daquela à margem sul
do Rio São Lourenço, túneis, etc.
Paralelamente, é de ver-se o estado lastimável das nossas
ruas e auto-estradas, impropriamente construídas
para a rigidez dos nossos invernos, quando comparadas
com as da Europa, Estados Unidos e, mais perto, no Ontário
e resto do Canadá.
Erros técnicos, descuido, falta de vigilância da parte
dos inspectores ou trabalho aldrabado? Talvez uma mistura
de todas aquelas especulações.
Mas há mais: ainda há semanas, uma artéria da baixa
citadina esteve fechada por terem encontrado fissuras
na estrutura do estabelecimento da Bay, ao que dizem,
causadas pelas trepidações das escavações efectuadas
na periferia. O mesmo acaba de suceder com um edifício
que começa a ruir na Papineau com a Mount Royal.
Isto é apenas o que tem vindo ao domínio público.
Mas, afinal, quem são esses empreiteiros e que género
de trabalhadores irresponsáveis é que estão a efectuar
tais trabalhos?
No meio de tudo isto, muito estranhamos a apatia geral
desses quebequenses que vêm para a rua protestar por
tudo e por nada, certamente mais preocupados com as
questões ambientais, de acomodamentos “desacomodados”
e coisas de somenos importância no consenso da
maioria de nós.

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