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O Que Foi o 5 de Outubro?
Nos anos anteriores, pouco ou nada
se fez para comemorar oficialmente
em Montreal o dia 5 de Outubro, mas
deveria ser recordado de uma maneira
digna. Sem essa data histórica, a nossa
pátria, como a conhecemos hoje, não
existiria. Na comunidade, não se festeja
esta data, por várias razões, desconhecidas,
mas deveriam pelo menos ter organizado
uma palestra ou uma apresentação
sobre o 5 de Outubro. Este ano, a
Associação dos Ex-Combatentes Portugueses
do Québec organiza, sexta-feira,
dia 5 de Outubro pelas 19 horas, uma
pequena exposição sobre a Implantação
da República, que terá lugar no Restaurante
Chez Le Portugais, 4134 boul. St-
Laurent. Muitos jovens desconhecem o
significado desta data. Segundo disse a
este jornal o Cônsul-Geral de Portugal
em Montreal, não é importante dignificar
estes dois eventos. É apenas mais
um dia de folga para o consulado.
Tratado de Zamora
Comemora-se, dia 5 de Outubro de 2007,
o 864º aniversario do tratado de Zamora de
1143.
Nesta data, naquele ano do século XII,
os selos reais, reconheciam pela primeira
vez o Reino de Portugal, e D. Afonso
Henriques como seu suserano. A data é
da maior importância para a História do
país, dado representar e demonstrar no
papel e em documentos escritos, a determinação
de D. Afonso Henriques e dos
homens livres, especialmente da burguesia
da região de entre Douro e Minho,
que nunca aceitou que a capital da antiga
Gallaecia, situada em Braga, se tivesse
transferido de Braga para a actual cidade
de Lugo na Galiza, onde a nobreza visigótica
estava protegida pelas muralhas
romanas. Desde aí, que a norte e a sul do
Minho se criou uma cisão entre um povo
outrora homogéneo, e que resultou numa
guerra civil entre portugueses e galegos,
que acabou com a separação e a criação
do Reino de Portugal.
O Rei de Leão e Castela, um suserano
medieval, tinha dificuldade em manter os
seus vários domínios e preferia dar-lhes
autonomia e garantir a sua lealdade que
com a manutenção de unidades nacionais,
que na altura não faziam sentido,
como aliás não fazem hoje. Com o sul
aberto à reconquista contra os árabes, o
reino português teve por isso a possibilidade
de se expandir para sul, atingindo
o Algarve no século seguinte, e deixando
o Reino de Leão enclausurado entre Portugal
e Castela e marcando assim a sua
destruição e absorção por parte do seu
vizinho castelhano.
Nasce a República
Nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910 alguns
militares da Marinha e do Exército
iniciaram uma revolta nas guarnições de
Lisboa, com o objectivo de derrubar a
Monarquia. Juntamente com os militares
estiveram a Carbonária e as estruturas do
PRP (Partido Republicano Português).
Na tarde desse dia, José Relvas, em nome
do Directório do PRP, proclamou a República à varanda da Câmara Municipal
de Lisboa. No dia 6 o novo regime foi
proclamado no Porto e, nos dias seguintes,
no resto do país. Em Braga foi-o no
dia 7, tendo tomado posse da Câmara o
Dr. Manuel Monteiro.
A queda da Monarquia já era de esperar.
Dois anos antes D. Carlos e D. Luíz Filipe
haviam sido assassinados por activistas
republicanos. O reinado de D. Manuel
II tentou apaziguar a vida do país sem sucesso.
Foi um reinado fraco e inexperiente.
Apesar de o 5 de Outubro não ter sido
uma verdadeira revolução popular, mas
sobretudo um golpe de estado centrado
em Lisboa, a nova situação acabou por
ser aceite no país e poucos acreditaram
na possibilidade de num regresso à Monarquia.
Seguiu-se um período de democracia
republicana, caracterizado por forte instabilidade
política, conflitos com a Igreja,
mas também grandes progressos na
educação pública.
A chamada I República
Portuguesa terminou em 1926, com o
golpe de 28 de Maio, a que se seguiram
muitos anos de ditadura.
Após o 5 de Outubro foi substituída a
bandeira portuguesa. As cores verde e
vermelho significam, respectivamente, a
esperança e o sangue dos heróis. A esfera
armilar simboliza os Descobrimentos,
os sete castelos representam os primeiros
castelos conquistados por D. Afonso
Henriques, as cinco quinas significam os
cinco reis mouros vencidos por este Rei
e, finalmente, os cinco pontos em cada
uma das cinco chagas de Cristo. O hino “A Portuguesa”, composto por Alfredo
Keil, tornou-se o hino nacional.

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