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Adolescentes (II)

Augusto Machado

SAO sofrimento das raparigas a braços com a adolescência manifesta-se igualmente através de agressões mais directas, nomeadamente golpes nos membros feitos com uma faca ou pedaços de vidro. São gestos que reflectem conflitos internos, dificuldade em lidar, por exemplo, com uma decepção afectiva ou a separação
dos pais. Aliás, para os especialistas, a profunda crise no ambiente familiar actual ajuda a explicar as numerosas tentativas de suicídio entre os adolescentes: apontam sobretudo para a ausência de comunicação entre pais e filhos.

Uma adolescente que se mutila ou tenta o suicídio não pretende forçosamente pôr fim à sua vida, mas sim chamar a atenção de que precisa de ajuda. Sente-se desesperada, inútil, diminuída na sua auto-estima e à sua volta tudo parece afundar-se.

Sente uma dor insuportável. Mas é essa mesma dor que a mantém viva: sangra por dentro e o sangue que corre do golpe acaba por acalmar. Não é fácil entender o que vai na alma de um adolescente que se agride a si próprio. A verdade é que a depressão na adolescência está a aumentar, os especialistas calculam que pelo menos 20% dos rapazes e raparigas necessitam de ajuda ao nível da saúde mental para ultrapassarem esta etapa da vida.

Nem sempre será fácil detectar a depressão num adolescente.

Embora hajam sinais os mesmos podem ser confundidos com os comportamentos inconstantes que se esperam nestas idades. Todavia, devemos estar atentos ao desempenho escolar, a um eventual aumento de sentimento melancólico e de desinteresse, ao isolamento, a mudanças de padrões de sono e alimentação, a uma maior dificuldade em lidar com a autoridade e, naturalmente, à existência de conversas que possam denunciar pensamentos violentos ou suicidas.

Alguns adolescentes sentem-se tão deprimidos que não hesitam em terminar as suas vidas. São sentimentos impulsivos de auto-destruição. E o que fazer perante estes sinais? Oferecer ajuda, encorajar o adolescente a falar dos seus problemas, a expressar os seus sentimentos, ouvir sem argumentos ou preconceitos. Porque, muitas vezes, é isso que falta: alguém que ouça, uma voz amiga.

Mitos. São muitas as crenças erradas que rodeiam o suicídio e aqueles que o tentam, são ideias falsas que se devem desmitificar:

- Exemplos: quem tentou o suicídio e não morreu é porque só queria chamar a atenção, não queria mesmo morrer.

- FALSO. As tentativas de suicídio não podem ser confundidas com uma forma exagerada de chamar a atenção.

Isso pode acontecer, mas a verdade é que quem tenta suicidar-se vê na morte a única saída, a única solução para os seus problemas. Daí que todas as tentativas de suicídio devem ser encaradas com seriedade e proporcionar a ajuda a quem desesperadamente necessita.

- Falar sobre suicídio com alguém que pensa suicidar-se só agrava o problema.

- FALSO. Falar ajuda. Está provado que as pessoas que correm maior risco de suicídio são aquelas que não têm com quem partilhar a sua dor, o seu desespero ou os seus problemas.
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