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Valor-próprio
J.J. Marques da Silva

SATemos aplicado muita atenção às opiniões sobre as acomodações e a imigração no Quebeque, em boa hora postas à consideração popular, e ainda se nos oferece dizer algo mais. Sobre imigração pomos de lado o nacionalismo doentio de alguns, que apareceram, digamos, para meter medo até aos emigrantes que têm derramado aqui o suor do seu rosto, e a outros que se proponham chegar! É muito difícil responder
a quem pergunte: “quem não é de origem imigrante?” Os que falaram perderam tempo.

Pessoalmente não temos queixa a fazer. Desde que chegámos compreendemos que há regras existentes, desde as escolas particulares aos serviços públicos, com preceitos a seguir e princípios de distinção em trabalhos especiais para cumprir, e nada foi incompatível com a nossa cultura ou religião. Em boa compreensão também não será para os adeptos das outras religiões. O Governo do Canada, tem recebido, em qualquer das suas províncias, trabalhadores de feição cristã, muçulmana, budista, ou outra que seja, e será enriquecido pela especialização que cada um tiver. Este é um valor próprio dum Governo laico e democrático. Todos aproveitarão do companheirismo, no serviço, na qualidade do trabalho, e sobretudo da amizade e respeito que souberem ter entre si mesmos, tanto nas ofi cinas como publicamente. As competições e disputas sem valor-próprio é que serão prejudiciais, e estas só estão aparecendo em clãs bem distintos, os quais, nos países de onde vêm e, pelos governos que têm, exigências semelhantes às suas são implacavelmente reprimidas! Imaginemos exigência pessoal para concluir de boa nota:: A corporação dos bombeiros tem farda própria; mas a funcionária, de recursos ideais islâmicos, recusa
vestir um fato de homem à prova de fogo, para ajudar na recolha de feridos... Ajudou como quis, queimou-se, e foi parar ao hospital... Quando ali chegou não havia médica nem enfermeira para lhe valer e recusou ser atendida pelos funcionários de serviço... Morreu horas depois! Afi nal que lhe diz Alah no Corão? – “Os que crêem e emigram, e se esforçam para seguir o caminho de Alah, têm esperanças na misericórdia de Alah” (Sutra II: 218; e IV:100). Portanto, Deus não falharia; a desobediência, sim, pode levar ao desastre. Mas há outras diferenças.

Um cristão de rotina religiosa poderá obedecer sem acomodação alguma, e fazer de corajoso; que valor tem? Um cristão, sempre pronto na “batalha da fé”, considerará: - “Tudo posso n’Aquele que me fortalece”; “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (Filip.4:13; 2ª Tim.1:7); os conceitos humanos são de ordem secundária; os de religião obrigatória são para pôr de parte; os de boa lógica, judiciosos, são aceitáveis, plausíveis em atitudes e serviços. Falou-se de valores sociais, identidade nacional, herança ancestral, monumentos históricos e tradicionais, e não deve haver dúvida que são para conservar; e não para embargar. “Então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus” (Prov.2:5), também está escrito, e tudo isso é necessário para a cultura do saber. As acomodações, neste sector, são pessoais, e cada um aprenderá quanto quiser, ou puder, aplicando investigação judiciosa que será igualmente riqueza para a nação.

Mas há que ter em linha de conta os “egos-autónomos”. Aos irredutíveis que se apresentem a questionar ou a exigir, sem jeito, sobre imigração, só porque se julgam na posse de “maior-valia”, será bom sorrir-lhes e deixá-los de lado. “Maior-valia”, como qualidade moral, não é “valor- próprio”. Lembramo-nos de certo cavalheiro, empregado da Alfândega que, quando o país se tornou independente conservou o mesmo lugar. No tempo antigo era um bom crente, bom companheiro e amigo de todos os da sua comunhão. A situação mudou, e um desses amigos, tendo regressado ao seu país de origem, voltou, e foi atendido por ele para uma nova entrada. Secamente, e sem preâmbulos, depois do frio “olá!”, logo lhe atirou:
--Deixo-te entrar sem abrir as malas, se me deres x...
-- Não sabia que agora andas a pedir... –disse o amigo, com intenção.
-- Não ando a pedir! É um favor que te faço... Eu agora valho mais...--disse.
-- Mas eu não estou a pedir qualquer favor... Estarás tu em necessidade?! Se não te conhecesse chamaria a isso
corrupção! Mas tu és crente e sabes o que está escrito: Sal 49:9 ,“ Para que viva para sempre, e não veja corrupção”. Job 15:16, “Abominável e corrupto é o homem que bebe a iniquidade como a água? ”Esqueceste?!
Atingido no seu íntimo o alfandegário teve difi culdade em conter as lágrimas. E nós terminamos asseverando que “maior-valia” pode ser termo comercial, mas não honra nenhum emigrante ao serviço duma Nação justa. O cristão, sem obediência mecânica, acomodado na sua situação de emigrante, mas em relação com Cristo, é feito “da parte de Deus, sabedoria, justiça, santifi cação e redenção”(1ª Cor.1:30), e não se envergonhará de ser como é, porque o “poder de Deus é para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rom.1:16), seguidamente cada qual nas relações de cidadania! E não se excluem os de outra religião válida.

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