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Fernando Pereira em Montreal

SAO apreciado “entertainer” Fernando Pereira estará de passagem por Montreal. Abaixo, uma entrevista com Fernando Pereira, publicada no Jornal Inside, para os nossos caros leitores conhecerem um pouco mais este grande artista, que vai dar um espectáculo no próximo domingo, dia 11 de Novembro, às 16h00 no Plateau-Hall, situado no 3710 Calixa-Lavallée, um espectáculo a não falhar.

Fernando, nasceu em Lisboa?
FERNANDO PEREIRA – Sim, mas embora nascido em Lisboa e convivendo com os meus companheiros de folguedos e de escola no Bairro de Campo de Ourique, onde habitava, quando chegavam as férias, como disse, era para Mértola que eu partia.

Daí que as minhas memórias de infância e adolescência passam pelas margens do Guadiana, pela foz do rio, pelo castelo, pela mesquita, pelas Festas de S. João, pela Feira de Setembro. No fundo, Mértola era o prolongamento da minha casa. E dentro da minha casa, mesmo em Lisboa, era o Alentejo que estava sempre presente, nas conversas, na culinária, nas tradições. Era assim alentejano da porta para dentro e lisboeta quando saía para as ruas de Campo de Ourique, ou de Algés, para onde mais tarde fomos morar. Por outro lado, o meu pai, muito ligado à cultura regional e ao teatro, e a minha mãe, que tinha uma voz lindíssima, despertaram em mim, desde muito cedo, o gosto pela leitura, pelo folclore e pela música clássica.

E foi essa cultura multifacetada (o Fernando interpreta desde a «Pedra Filosofal», de Manuel Freire e António Gedeão, a Stranvinski e Louis Amstrong) que o levou a enveredar por uma carreira internacional?
FERNANDO PEREIRA – Penso que o facto de me sentir um cidadão do Mundo teve muito peso nessa opção. Mas a firme convicção que possuo de que é possível levar a toda a parte a existência, e excelência, da nossa música também se tornou decisiva na atitude que tomei ao partir há cerca de 10 anos para os EUA, onde estive radicado, e que já me levaram posteriormente a actuar em países tão distintos como a África do Sul, Austrália. Bermudas ou Eslovénia.

Imitador, mímico, cantor, declamador, como se definiria a si próprio como artista?
FERNANDO PEREIRA – Em Portugal, convencionou- se chamar imitador a tudo, mas esta designação algo simplista e redutora nem sempre é uma réplica fácil, muito pelo contrário. Nestes casos, a imitação é a caricatura elaborada de uma personagem e o «sketch » humorístico de uma forma específica de expressão artística. Por exemplo, nos EUA, chamam-me «impersonator», cuja tradução seria «personificador», no sentido da representação cénica, sendo considerada, imodéstia à parte, uma forma de espectáculo rara e superior. Mas se me chamarem simplesmente «entertainer» já me sinto razoavelmente confortado, embora eu seja um bocadinho disso tudo, actor, imitador, tenor...

Quando se refere a tenor está a falar da sua nova experiência ao lado da Isabel Maya?
FERNANDO PEREIRA – Acontece que, de facto, iniciei recentemente uma nova faceta que, de certo modo, tinha adormecida dentro de mim. Ou seja, decidi despertar o tenor que há em mim, ao lado da cantora lírica Isabel Maya. Não é uma nova carreira, mas é uma nova faceta, uma faceta assumidamente de cantor.

É um projecto que desenvolvi com a Isabel, um desafio aliciante, que está ter resultados absolutamente notáveis, com a realização de espectáculos só com este tipo de repertório, em dueto. Se comparar a minha actividade como tenor com a de Carreras ou de Pavarotti, é claro que não consigo atingir as mesmas performances. Poderei cantar nos mesmos tons, nos mesmos registos, mas não se pode comparar a sua formação clássica com a que eu não tive e que só foi posterior ao início da minha carreira, Porém, como faço de tudo, não há nada que seja completamente novo para mim.

Costumo afirmar: dêem-me um palco e tudo pode acontecer!

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