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A humanidade
Augusto Machado
Em 1993 escrevi um artigo sobre a humanidade com o intuito de tentar compreender porque é que o homem
parece ser incapaz de se libertar da encruzilhada em que se encontra. Já lá vão 14 anos e o comportamento
humano pouco ou quase nada mudou. Continuamos a cometer os mesmos erros. E dificilmente o mundo melhorará
enquanto se condena e se destrói e não nos entregarmos
de corpo e alma para educar e reformar a sociedade
em que cada um de nós está inserido.
O homem , em si, é ambicioso, e ainda bem, caso contrário,
ainda hoje viveríamos uma vida primitiva. Importa,
todavia, canalizar as bem intencionadas e ambiciosas
ideias para o bem comum.
Todos os dias a imprensa electrónica e escrita nos traumatiza
com más notícias. E os órgãos de comunicação social, com algumas excepções, aproveitam-se das tragédias
humanas como sensacionalismo para melhorarem
os seus “ratings”. A população já está de tal modo condicionada a ouvir e a ver os dramas do mundo que entram nos nossos lares que, quando por ventura lhe é transmitido uma boa notícia, esta já não é recebida com o mesmo entusiasmo.
Compreende-se, pois, porque é que muitas pessoas procuram refúgio em lugares isolados, longe e afastados de todo este imbróglio humano que “nous rend fous”. Porém, também há os que pensavam ter conquistado o Céu ao se dedicarem, nesses ermos lugares, a causas (para eles) nobres, e acabaram por se meter na boca do lobo; é o caso de vários grupos extremistas e fanáticos em diferentes partes do planeta a matarem seres humanos
inocentes.
Para quem procura uma vida longe de toda esta confusão
humana, deverá pensar duas vezes antes de se deixar
levar pelo entusiasmo de buscar uma vida mais fácil ou heróica – no caso dos terroristas. Mais tarde ou mais cedo, os problemas que pensávamos ter deixado para trás perseguir-nos-ão. Todos nós sabemos ou deveríamos
saber que a vida é curta e frágil. E para quem tem só esta vida, quem não crê na vida eterna, quem não admite
outra lei senão a da Natureza, quem se opõe ao Estado porque ele não é natural, ao casamento porque este também não é natural, a todas as ficções sociais porque elas não são naturais, assim como também se pode dizer que o homem não nasce para ser casado, ou para ser português, ou para ser rico ou pobre, importa, porém, notar que cabe-nos a nós, seres mortais, escolhermos
o caminho e o rumo que queremos tomar na vida.
As pessoas que têm a felicidade de serem dotadas com um caracter firme, paciente, simples, natural e tranquilo,
são os seres humanos quase perfeitos – os mais perto
da virtude. Muitos de nós acreditam que para se ser feliz nada melhor do que trocar as nossas preocupações por ocupações. Procurando, para o nosso lazer, sítios sadios, onde o ambiente nos deleite e nutra o espírito, onde podemos tranquilamente ler, idear as coisas mais subtis da vida, cogitar os aspectos de tudo quanto nos rodeia. Enfim, viver em paz com nós próprios e com o mundo.
Alguém escreveu: “Ninguém jamais pode ser o que já foi, e apenas poderemos ser o que somos no presente”. Só que, é no presente que pesam os erros do passado.
Tenham todos um dia FELIZ...

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