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Alexandre da Costa toca Freitas Branco e honra Portugal
Raul Mesquita
Na última semana juntei-me com prazer a algumas dezenas de pessoas, compatriotas e de diferentes nacionalidades, no Restaurante Chez Le Portugais, do boulevard de St-Laurent, para compartilhar o lançamento
em Montreal do álbum de música portuguesa “Fernandes/
Freitas Branco” do virtuoso Alexandre da Costa, gravado em Badajós em Junho deste ano.
Há vários anos que acompanho a fulgurante ascensão daquele que foi, aos 13 anos, considerado o “Menino Prodígio da Música Clássica” tanto no violino como ao piano.
Vencedor, depois, de inúmeros prémios e bolsas e tendo obtido excelentes críticas nos cinco continentes, Alexandre mantém, na idade adulta, o mesmo sereno ardor e simplicidade da adolescência. Infatigável perfeccionista,
alia à subtil manipulação do arco Sartory sobre as cordas do não menos famoso violino Stradivarius “Dubois” de 1667, a técnica russa do grande mestre mundial que é Zakhar Bron, ele próprio antigo prodígio saído do Oural, na sua Sibéria natal, e depois aluno dos conceituados Conservatórios Gnessin e Tchaikovsky, em Moscovo, sendo desde 1997, após outras permanências
europeias, professor em Colónia, na Alemanha, e em Madrid, onde Alexandre aproveitou os seus conselhos
até há cerca de dois anos, na Escola de Música Rainha
Sofia.
Dele, referiu-se há algum tempo o rigoroso crítico Claude Gingras do jornal La presse, manifestando-se
impressionado pelo estilo e profissionalismo do jovem DaCosta, relevando o facto de ele passar de um a outro autor sem pauta musical. Tudo se passa na concentração,
na memorização do artista.
Alexandre da Costa que já actuou como solista convidado
com as melhores orquestras mundiais, vai exercer a sua magia artística no próximo dia 27 do corrente na Place des Arts, em Montreal, e seguirá depois para o Japão, onde tocará em Osaca e Tóquio no princípio de Dezembro.
Este CD “Música Portuguesa” é para Alexandre Da Costa, uma maneira de se aproximar das suas raízes portuguesas, ele que, apaixonado pela Península Ibérica,
tem um pé em Espanha, pela profissão e pelo amor duma linda andaluza com quem vive há sete anos. A aproximação da cultura portuguesa é também um estímulo,
uma forma de declaração pessoal e artística.
Alexandre não gosta de seguir caminhos batidos por outros. Em constante pesquisa de tesouros esquecidos, procura partições de obras desconhecidas ou olvidadas por alguém, em qualquer parte, de forma a poder apresentar
um concerto que nunca tenha sido gravado. A novidade.
O ineditismo. Mas igualmente a possibilidade de se exprimir totalmente, transportando através do arco para as cordas do violino esbraseado a força, a segurança,
o talento da sua excepcional expressão musical.
O violinista que no ano passado gravou pela primeira vez, obras de Freitas Branco e de Braga Santos, num trabalho discográfico que foi considerado o Melhor Álbum de Música Clássica do Ano, renova agora com composições do mesmo Luís de Freitas Branco e de Armando José Fernandes, num outro CD arrebatador, cheio de energia e de talentosa execução.
Não há uma linha directiva dura, fixa, no eixo musical do seu repertório. Há, sim, um lote de sensações que povoam lugares e personagens do mundo da música, que residiram na infância de uns, na adolescência de outros e que são parte integrante na memória de todos os amantes da boa música. O seu vasto repertório passa com extrema facilidade e maestria de obras de origem polaca a outras de autores vienenses, russos, alemães, portugueses ou espanhóis, numa demonstração inequívoca de elevada capacidade artística. E com uma técnica perfeita por todos elogiada.
Gostaria de salientar um momento de orgulho quando no dia seguinte a este lançamento, Jean-Pierre Coallier e Julie Bélanger da Rádio Clássica de Montreal, elogiaram repetidas vezes durante a programação, a virtuosidade deste artista montrealense de origem portuguesa.
É agradável ouvir.
Presentemente, além dos concertos como solista das grandes orquestras sinfónicas do planeta, Alexandre é professor de violino em Classes de Mestres e em várias universidades e conservatórios na Europa e no Canadá. É igualmente Director do Desenvolvimento Musical da Fundação Canimex, organismo que tem como objectivo ajudar artistas talentosos, pelo intermédio de empréstimos de instrumentos de grande qualidade como é o seu próprio caso já que, o Stradivarius e arco Sartory que utiliza, lhe foram cedidos por aquela Companhia.
Continuamos a aguardar o momento em que Portugal intervenha na carreira artística deste seu portentoso descendente, para que se possam brevemente anunciar álbuns de música portuguesa interpretados por Alexandre Da Costa, apoiados por entidades responsáveis e gravados em Portugal, com orquestra portuguesa e técnicos portugueses. Ou será que teremos de dar ao seu nome uma consonância estrangeira?!
Alexandre Da Costa e “Música Portuguesa”, dois valores a não perder. A apreciar e a aplaudir.
E podem começar a praticar os aplausos, adquirindo desde já bilhetes para o dia 27 na Place des Arts.
Entretanto, pense Português. Alguém o deve fazer.
Porque Portugal só será pequeno se o seu Povo o não souber engrandecer. Pense nisso também.

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