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Simão Sabrosa
Como tudo começou
"Quem sou? Simão Pedro Fonseca Sabrosa, nasci a 31 de Outubro de 1979, num local chamado Constantim, em Vila Real. Tenho uma irmã, Sandra, e um irmão, Serafim, ambos mais velhos. Os meus pais têm 53 (pai) e 50 (mãe) anos e vivem no sítio onde cresci.
Vivi numa pequena aldeia, com cerca de mil habitantes, até aos 13 anos. Jogava muito à bola, quase sempre com o meu irmão. Estudei na aldeia até à quarta classe. Ao lado da minha casa existe um campo de futebol. Saltava o muro muitas vezes para ir jogar, embora também o fizesse na rua e nos terrenos dos vizinhos. Tive sempre a sorte de poder jogar com os mais velhos, graças ao meu irmão.
Com 9, 10 anos, um vizinho meu que trabalhava na escola Diogo Cão pediu-me para ir lá fazer uns testes. Fui e acabei por ficar. Era um clube dentro do estabelecimento de ensino. Era diferente. Tínhamos infantis e iniciados, que competiam no regional e no nacional.
Nessa altura iam buscar-me a outra escola, numa carrinha. Fiquei dois anos na Diogo Cão. Tinha idade de infantil, mas também jogava pelos iniciados. O meu primeiro jogo foi contra o Desportivo de Chaves, no nosso campo. Comecei no banco. Não tinha ideia nenhuma do que era o futebol. Imaginem que às tantas houve uma falta, levantei-me do banco e fui conversar com o meu irmão! Ele começou a dizer-me para ir embora, voltar para o banco. Entrei na segunda parte, ganhámos 6-2 e marquei dois golos. Fomos campeões distritais e subimos ao nacional.
No primeiro ano perdemos com o Boavista e por isso não fomos à final. Mas fomos campeões distritais, o que era fantástico. A nossa equipa era boa, a deles grande. Lá perdemos 5-0, em nossa casa empatámos 0-0. No segundo fomos eliminados pelo Porto. Enfim, histórias que recordo como se fosse hoje.
Treinávamos quase todos os dias e eu raramente faltava. Gostava daquilo. Era de noite, custava muito, às vezes chegava a casa, nem comia e ia logo dormir. Havia alturas em que deixava o livro aberto e um recado para o meu irmão:"Mano, faz-me os trabalhos que eu cheguei cansado e fui dormir...". E ele fazia. O meu irmão também foi jogador. Chegou a ser convidado para ir para o Porto, mas o meu pai não o deixou. Talvez por isso ele, mais tarde, ajudou-me tanto a convencê-lo...
Os meus pais insistiam para que estudasse, mas tinha pouco tempo. Às vezes pedia à minha mãe que me acordasse às 5 da manhã, para estudar alguma coisa antes de ir para as aulas. Era muito complicado.
Era infantil e já jogava pelos iniciados. Lembro-me de torneios em França. E do equipamento, que era preto, parecido com o da Académica. Era a minha mãe que o lavava. Aliás, a minha mãe também foi responsável pela primeira bola que eu tive. Era de trapos. O campo era ao lado da minha casa e eu tentava sempre ficar com as bolas (verdadeiras...) que iam parar à minha vinha. Mas nunca tinha sorte, o roupeiro acabava sempre por as encontrar. Então a minha mãe optou por fazer uma de trapos, metidos numa meia. Comprar uma bola não era uma das prioridades da família.
Sempre joguei como avançado. Desde o princípio. Jogávamos com dois avançados e eu era um deles. Corria muito. Naquela idade não havia grandes esquemas tácticos, não é? Na Diogo Cão fui um dos melhores. Pelo menos era o que diziam. Eu e outro jogador, o Franquelim, iniciado. E o facto de andar a jogar com chuteiras emprestadas até conseguir comprar umas Asics não me impediu de chegar onde cheguei. Lembro-me tão bem dessas primeiras botas, pretas com tiras verdes. Duraram muito tempo. Tinha de ser.

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