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Porquê a impopularidade de Jean Charest?
António Vallacorba
Deverei começar por dizer que não estou filiado em partido algum e que o meu ídolo político é Aquele das minhas convicções religiosas
e a Quem em vão tento imitar. Cumpro o meu dever de cidadão responsável
sempre que sou chamado a votar, algo, aliás, que me foi negado no país onde nasci.
Tenho, evidentemente, uma visão muito própria de toda a máquina política
e dos governantes, dos seus interesses
e limitações, do que é justo e menos assim.
Sendo a política uma causa nobre e à qual muitos homens e mulheres dão o melhor de si próprios, contudo
há quem a não dignifique. O mesmo é verdade com os cidadãos.
No caso da sociedade quebequense, por exemplo, nunca
vimos um povo tão habituado a jogar à política, um povo difícil de agradar. Um povo insatisfeito por tudo e por nada, frequentemente contribuindo para a instabilidade
económica e política da província. Se não é a insegurança ou a dualidade de critérios, é o despeito a movê-lo – c’est le fédéral! - para inculpar Otava por tudo o que acontece de adverso no Quebeque.
E, com isto chegamos ao que nos propusemos perguntar:
Por que razão é Jean Charest tão impopular?
Falta de carisma?
Inconsistente no seu discurso político?
Mau administrador da coisa pública?
Ou simplesmente
por ter sido um político federal, conservador, depois
virado liberal provincial?
Sem que o possamos eleger para a lista dos políticos superdotados, contudo, e se também o compararmos com outros governantes de má memória, tem liderado exemplarmente uma administração eficaz, responsável e adentro do que é razoável. E, se mais não consegue, é porque há forças e situações que fazem com que ele por vezes não agrade a fulano ou a beltrano.
Há considerável estabilidade política. A economia, com uma taxa de juros a mais baixa nestes últimos trinta anos, é das melhores no Canadá, se exceptuarmos a da
Alberta. Existem menos 60 mil pessoas na lista dos que vivem dos cofres do Estado, querendo isto significar que há cada vez mais emprego. E, com o anúncio do investimento
de 30 biliões de dólares durante os próximos anos para a reparação das infra-estruturas, certamente que irá “engrossar” as algibeiras de muita gente.
Claro que cada um de nós tem as suas próprias reivindicações.
Por exemplo, discordamos completamente com o conceito
de “nação” que se pretende atribuir à província do Quebeque como se tratasse de um estado soberano. Todavia, isso não constituirá, da nossa parte, razão suficiente
para desconsiderarmos o presente chefe do governo
provincial.
Mas modificar a Carta dos Direitos Humanos para “acomodar” as ninharias do Conselho do Estatuto das Mulheres, que advoga a abolição aos empregados públicos
do uso de qualquer símbolo religioso durante o expediente,
então é caso para pensarmos se ele realmente deverá merecer o nosso voto!
A propósito da política, Caroline Allard, da Université de Montreal, pôs a circular nos “media” francófonos e na Internet, uma carta para recolha de assinaturas contra a intolerância dos quebequenses de “pura lã”. Quem o desejar, poderá fazê-lo no portal www.ipetitions.com/petition/contrelintolerance/index.html.

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