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Apuramento EURO 2008
Portugal-Arménia, 1-0
Luis Mateus, MaisFutebol - Meia missão cumprida. Com sobressaltos, algum trabalho de Ricardo, momentos
de desconcentração do sector mais recuado e muitos minutos a bater no muro arménio à frente de Berezovski,
Portugal conquistou sábado três dos quatro pontos de que precisa para chegar à fase final do Campeonato
da Europa. O resultado acaba por ser melhor do que a exibição - sofrível perante um adversário que dá trabalho, mas que nem tem assim tanto talento - e que terá de ser bem melhor, hoje no Porto, na recepção à Finlândia.
Numa noite em que até estiveram em campo três dos mais talentosos extremos que tem o país, embora um com missão mais central, foram os menos fantasistas que entregaram a chave da vitória aos companheiros. Aos 42 minutos, o rectilíneo Bosingwa ganhou o corredor
direito e tirou finalmente um bom cruzamento para Hugo Almeida cabecear em diagonal para o poste oposto.
A objectividade tinha-se superiorizado às movimentações
irregulares de Ronaldo, Simão e Quaresma, que andaram 45 minutos desencontrados com o posicionamento
de Hugo Almeida e com a sua natural apetência para finalizar. Nas duas bolas que o ponta-de-lança do Werder Bremen teve em condições serviu Simão para o remate à trave (3m) e fez o golo (42).
Portugal até começou bem o encontro, com elevados índices de atitude. No entanto, os arménios não se assustaram
e rapidamente encontraram uma forma de chegar à área de Ricardo. O lateral-direito Hovsepyan subia no terreno e combinava com Melkonyan. Aos 16 minutos,
o guarda-redes português evitou com o pé um cruzamento
perigoso, aos 22 teve de voar para recusar um remate perigoso do 4 arménio. Depois da meia-hora, foi o avançado a criar perigo. Aos 31, Ricardo foi ultrapassado
em chapéu, com Bosingwa a evitar males maiores, aos 34 um atraso de Miguel Veloso criou um equívoco entre Meira e Ricardo, com Melkonyan a meter-se pelo meio e a cair no confronto com o guardião do Bétis. Pediu-se penalty, depois de o ombro de Ricardo ter causado
a queda. O árbitro nada assinalou.
Quaresma, o primeiro sacrificado
A Selecção Nacional pareceu surpreendida pelo arrojo dos visitantes. O triângulo formado por Simão, Maniche e Veloso estava longe de segurar o meio-campo, com o sportinguista a parecer mesmo assim o mais participativo
dos três. No ataque, só algumas trivelas de Quaresma (sem consequência) iam disfarçando os desordenados e controlados (pelos arménios) movimentos ofensivos. Os cruzamentos saíam invariavelmente mal ou eram anulados pelos esforçados defesas contrários. Até que Bosingwa e Hugo Almeida finalmente acertaram posições
e estilos, e Portugal pôde sair para o intervalo a vencer.
Depois de 15 minutos de superioridade portuguesa após o reatamento, Flávio Murtosa decidiu tirar Quaresma
ao jogo, ele que, dos três extremos, até parecia o que mais estava em jogo. O objectivo era reforçar o miolo, com um homem mais participante (Manuel Fernandes) na cobertura do que Simão, agora reenviado para a esquerda.
É verdade que os arménios pararam de causar problemas no ataque, mas também continuavam a beneficiar
de pouca inspiração dos portugueses, que davam sempre um drible ou um toque a mais na bola, desperdiçando
transições rápidas em série.
Segunda parte sem chama
Com Makukula (para o lugar de Hugo Almeida) e Nani (que substituiu Simão), o adjunto de Scolari esgotou as alterações, sem que, no entanto, a exibição alcançasse outro
tom. Berezovski passou uma segunda parte descansada,
com as ameaças de Ronaldo, em velocidade, a esgotarem-se bem antes da meia-lua. E nem as bolas paradas causavam problemas. O 1-0 chegava para Portugal, mas nem por isso os jogadores deixaram de ouvir assobios. O público queria mais e tinha razão em exigi-lo.
O espectáculo
era mesmo muito fraco. Frente à Finlândia, Portugal precisa de melhorar muito. Ou arrisca-se a não ir ao Europeu.
Por este jogo não o merece certamente.

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