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Advogados e médicos também falham
Augusto Machado

SAOs advogados existem para solucionar discórdias que as pessoas comuns possam ter dificuldades em resolver. Para tornar mais fácil aquilo que se apresentava difícil. Para defender os direitos dos cidadãos e pugnar por causas justas.

Ora, para que servem hoje os advogados? Servem, em muitos casos, para complicar os problemas e não para os simplificar. Para tornar difícil e tortuoso o que parecia fácil. Para defender boas causas mas também más causas. Arranjando expedientes para livrar da prisão vigaristas, burlões confessos e outros malfeitores. Também por isso os julgamentos se arrastam durante uma infinidade.

Os juizes levam tempos infindos a tentar desenredar a meada que os advogados de um lado e do outro enredaram. E aí temos nós, neste país de brandos costumes, uma justiça que não funciona – lenta e complicada para o cidadão comum. Raramente os processos são resolvidos nas datas previstas – às vezes espera-se anos para se obter uma decisão judicial.

Há tantas coisas que vão mal no mundo e outras tantas que o Homem, se quisesse, poderia melhorar. É uma questão de bom senso e uma boa dose de boa vontade. Médico passa atestado sem ver o morto. Um clínico geral, de Almada, foi condenado pela Ordem dos Médicos a quatro anos de suspensão do exercício da Medicina por ter assinado um atestado de Óbito falso. O médico atestou que um homem morrera de cancro quando, na verdade, ele se suicidara com um tiro na cabeça, em casa. O médico não conhecia o morto, nem foi a casa dele no dia em que tudo aconteceu.

Aceitou, no entanto, fazer um atestado de óbito para a agência que foi contratada pela família do suicida para tratar do seu funeral tendo recebido 50 euros por esse serviço. O médico defendeu-se, tanto em tribunal como perante a Ordem dos Médicos, alegando que deslocouse à casa do morto, onde terá encontrado o corpo deitado em cima de uma cama, vestido e com uma toalha à volta da cabeça. Justificou o teor do seu atestado – que indicava como causa de morte um cancro intestinal. Tudo mentira, afirma a mulher do morto. Acrescentando que não conhecia tal médico e que ele nunca estivera em sua casa. Contou ainda que o corpo do marido nunca foi retirado da casa de banho, onde tudo aconteceu, até ser levado para a morgue. O médico do INEM que foi chamado ao local e o delegado de saúde pública, ambos confirmaram que o homem tinha morrido com um tiro na cabeça.

Os oficiais da GNR disseram em tribunal ter recolhido, no local onde se encontrava o corpo, uma «pistola de defesa, calibre 6, 35mm» e «uma cápsula de projéctil no interior da casa de banho». Os agentes disseram também que o corpo foi retirado de casa sem estar ‘preparado’, dentro de um saco de plástico, negando assim, que alguma vez o corpo tivesse sido vestido e deitado na cama. A Ordem dos Médicos considera também que a conduta do médico «desprestigia a classe» e «descredibiliza os exames periciais».

Este é o mesmo médico que durante 17 anos foi perito de medicina legal para o Tribunal de Almada.
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