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Lisboa-Dakar, o maior rali
do Mundo, não arrancou...
Helder Dias
Foi com profundo pesar que
recebemos a triste notícia
que o legendário rali todo-o-terreno
(antigamente Paris-Dakar),
agora Lisboa-Dakar, teria sido
cancelado por medidas de segurança.
Ficámos, como é evidente,
surpreendidos por tal tomada
de posição, pois sabemos da importância deste evento,
quer em termos económicos, quer no desafio que se submetem
os arrojados e destemidos pilotos.
Etienne Lavigne, bastante emocionado, dirigiu-se a
uma vasta plateia presente no Auditório do Centro Cultural
de Belém para revelar o que, afinal, já se esperava:
o LISBOA-DAKAR de 2008, que ligaria Lisboa à capital
do Senegal, seria anulado,
não estando garantidas medidas
de segurança para a sua passagem
na Mauritânia.
Mais uma vez, a voz de um grupo
terrorista ligado a um ramo
do Al-Qaida, no Magreb Islâmico,
destrói o que, durante trinta
anos, foi para muitos pilotos, engenheiros,
mecânicos, patrocinadores,
jornalistas, etc., o maior
evento no mundo dos Ralis. É
triste... É verdadeiramente doloroso
e lamentável... Incompreensível.
Tendo em conta as actuais situações
de tensão política a nível
internacional, bem como o assassinato
a 24 de Dezembro de
quatro turistas franceses, atribuído
a este mesmo ramo terrorista,
e acima de tudo as ameaças directas
lançadas contra a prova, a
A.S.O. não teve outra alternativa que a anulação da
mesma.
A primeira responsabilidade da A.S.O (Amaury Sport
Organisation) é a de garantir a segurança de todos: populações
dos países atravessados, concorrentes amadores
e profissionais, sejam eles franceses ou estrangeiros,
elementos da assistência técnica, jornalistas, patrocinadores
e colaboradores do rali. A A.S.O. reafirma que as
questões de segurança não estão, não estiveram, nem
nunca estarão em causa no rali Dakar.
A A.S.O. condena a ameaça terrorista que anula um
ano de trabalho, de inscrições e de paixão para todos os
participantes e diferentes actores do maior rali-raid do
mundo. Consciente da imensa frustração, vivida, em
particular, em Portugal, Marrocos, Mauritânia e Senegal,
bem como entre todos os nossos fiéis parceiros,
para lá da decepção geral e das pesadas consequência
económicas, em termos de retorno directo e indirecto,
para os países atravessados, a A.S.O. continuará a defender
os valores que caracterizam os grandes acontecimentos
desportivos e prosseguirá com a mesma determinação
o desenvolvimento das suas acções humanitárias,
através das Actions Dakar, implantadas depois de
cinco anos em África sub-saariana com SOS Sahel Internacional.
O Dakar é um símbolo e nada pode destruir os símbolos.
A anulação da edição 2008 não coloca em causa o
futuro do Dakar. Propor, em 2009, uma nova aventura a
todos os amantes dos rali-raid é um desafio que a A.S.O.
irá assumir nos próximos meses, fiel à sua presença e
paixão pelo desporto.
Agora vejamos como seriam efectivamente as estruturas
para este ano e que finalmente tiveram que ser abortadas.
Esta edição 2008 bateria todos os recordes precedentes
de participantes, pois estavam inscritas 570 equipas:
245 motos, 20 ‘’quads’’, 205 carros e 100 camiões.
Pela primeira vez em solo africano, as motos seriam reabastecidas
com mistura bio-combustível, realçando-se
assim a importância que a organização dá aos problemas
de ambiente. Uma cidade seria montada e desmontada
diariamente para dar apoio à caravana, recebendo
diariamente 2500 habitantes. Cerca de 20 aviões assegurariam
o transporte de mais de três centenas de pessoas
e de toda a logística da mítica prova de todo-o-tereno,
juntando-se ainda uma dezena de helicópteros para o
transporte de fotógrafos, televisões, médicos e direcção
da corrida. Um gigantesco restaurante onde trabalhariam
80 pessoas, sendo esta estrutura transportada por
11 camiões. No que respeita ao aspecto clínico da prova,
esta teria 50 pessoas a trabalhar, um hospital de campanha
equipado com radiologia e bloco operatório, três
helicópteros e 14 veículos.
“Estamos desapontados e desiludidos com a anulação
da prova” dizia Carlos Sousa, o mais mediático piloto
português. Quanto a Elizabete Jacinto, que estaria na sua
décima participação, disse que o sentimento que a domina é um sentimento de frustração e quer acreditar que
houve razões válidas para a organização tomar esta opção.
Para Paulo Gonçalves, ainda é difícil crer na realidade.
“Não queria acreditar e ainda me custa a crer que vamos
todos para casa sem cumprir aquilo que nos propusemos
e que tanto trabalho deu a preparar. É uma tristeza
e uma desilusão muito grande”, dizia. O Governo Português
lamenta a anulação, mas elogia a organização portuguesa.
O Governo Português respeita a decisão de anular
o Lisboa-Dakar. A segurança está em primeiro lugar. Depois
do anúncio do Governo Francês, pesava uma enorme
responsabilidade sobre a organização, que revelou ser
muito escrupulosa com as questões de segurança, referiu
o ministro à Presidência, Pedro Silva Pereira.

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