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Em Santa Cruz, calorosa tarde de solidariedade
Na angariação de fundos para o Espírito Santo
Antonio Vallacorba
Um mero e
rotineiro almoço
para a angariação
de fundos
destinados a
ajudar na realização
das festas do
Divino Espírito Santo, da Missão Santa
Cruz, não só constituiu um sucesso relevante,
como ainda se revestiu de um toque
de classe.
Um pouco mais de 500 convivas terão
comparecido no domingo à tarde no
subsolo da igreja para acompanharem e
se mostrarem solidários para com o
respectivo mordomo para o corrente ano
- o padre José Maria Cardoso, responsável
da Missão.
Não lhe faltou o abraço caloroso de
amigos como Francisco Salvador,
conselheiro das Comunidades
Portuguesas, e os párocos António Araújo
e Clifford de Sousa, também desta
Missão, entre outros, a par da contribuição
da parte de membros de algumas
colectividades locais e do próprio grupo
de senhoras responsáveis pela confecção
do repasto: caldo verde e caldeirada de
cabrito, seguidos de muita doçaria e café
para sobremesa.
“As amizades não se agradecem”,
comentou o padre José Maria durante as
suas palavras de saudação e perante a
deslumbrante demonstração de estima
com que se viu envolto, para logo
sublinhar que, em vez “As amizades
reconhecem-se e retribuiem-se”, o que
ele certamente fá-lo-á com a simpatia
que o distingue.
Convenhamos, nem todas as pessoas,
por razões de gosto pessoais, terão ficado
bem “almoçadas” com a referida refeição
à base de cabrito e servida pelo simpático
grupo de Jovens em Acção. Todavia, isso
foi de somenos importância, se comparado
com a qualidade do espectáculo, com a
Filarmónica Portuguesa de Montreal
(FPM) e as artistas Ruth Damas, BIA e
Liliana Damas a “passearam” a sua
classe.
Constituiria – passe-se a expressão –
uma mui apetitosa refeição cultural!
A FPM abriu da melhor maneira a exuberante
tarde musical com uma marcha,
seguida do Hino do Divino Espírito Santo,
num acto solene dos mais bem registados.
E, se a Liliana Damas dera nas vistas
com a sua bem executada dança de Salomé,
a irmã Ruth, previamente, excederase
em raios de talento com muitos dos
seus êxitos. Difíceis serão de esquecer as
suas rendições de “At Last”, uma canção
dos românticos anos de 40 e executada
pela primeira vez pela orquestra de Glenn
Miller, e aquela joia de música erudita, “Con Te Partirò”, ex-libris do tenor invisual,
Andrea Bocelli.
Por fim, a artista convidada, brasileira,
BIA. Natural do estado de Santa Catarina,
onde presentemente se celebram os
260 anos da chegada ali das primeiras famílias
açorianas, em 1748, esta fresca
voz dos palcos internacionais a todos impressionou
fortemente com duas ou três
das suas baladas, e, merecendo uma explosão
de aplausos, culminou com uma
mui sentida rendição de Canoas do Tejo.
Foram trechos para escutar bem em silêncio
e no embevecimento de todo o auditório.
Entretanto, e tratando-se, como se tratou,
de uma acção de angariação de fundos, é evidente que não poderiam faltar
arrematações, numa sessão protagonizada
por Manuel Fátima e que despertou
interesse assaz vivo.
Para se ter uma pequena ideia do quão
concorrencial foi, basta dizer que uma
das várias morcelas para tal oferecida
pela Associação Portuguesa do Espírito
Santo (Hochelaga), arrecadou a bonita
soma de 100 dólares!
Outras se seguiram com valores também
interessantes, o mesmo acontecendo
com as rosquilhas de massa sovada, um
cabrito e/ou partes de outro.
Finalmente, uma palavra de apreço para
o Eusébio Amorim, agora com a sua própria
discoteca, “Pure-Fun Entertainement”
e que esteve no apoio sonoro que
prestou às artistas supramencionadas e
na animação do concorrido baile.
Este exuberante evento contou ainda
com o apoio prestimoso dos comerciantes
da nossa praça, cujos nomes foram
devidamente divulgados pelo padre José
Maria, durante uma das suas alocuções.
O Império do Pentecostes de Santa Cruz – lembramos – realizar-se-á no fim-desemana
imediato ao das festas do S. Santo
Cristo, ou seja, nos dias 24 e 25 de
Maio próximo.
Felicitamos toda a organização responsável
por esta deliciosa tarde, com uma
saudação muito especial para o padre
José Maria.
E, venham as festas!

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