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Ladrões à solta
Augusto Machado
Longe vão os tempos em que as
pessoas nas aldeias não fechavam
as portas à chave e as janelas
mantinham-se todo o dia abertas.
Ninguém desconfiava de ninguém.
Ao contrário de hoje, as pessoas
não se sentem seguras nas suas próprias
casas mesmo com as habitações
já equipadas com sistemas de
alarme. Para os ladrões, alarmes ou
sistemas de videovigilância não são
obstáculos.
Existem bandos organizados por
todo o país. É uma praga que ninguém
parece ser capaz de parar. Até
na vizinha Espanha as populações
também se queixam da ladroagem.
As autoridades não têm mãos a medir.
São grupos de marginais, bem
organizados, bem armados e a espalhar
o medo nas populações.
Para
termos uma ideia da gravidade do
problema, só na noite de 10 para
11 de Janeiro, no Norte do país, as
autoridades registaram um elevado
número de roubos e assaltos. Alguns
exemplos: em Monção, veículo
roubado foi detectado na Galiza, o
autor do furto, um espanhol, foi detido
pelas autoridades galegas; em
Barcelos, mesmo junto ao tribunal,
um homem foi espancado por três
indivíduos, a polícia diz tratar-se de
um ajuste de contas; em Santo Tirso,
três jovens, 15,17,18 anos, foram
detidos pela PSP pouco depois de terem
assaltado um pronto-a-vestir. Os
indivíduos foram interceptados após
terem furtado um carro em Guinfães,
Maia; em Aveiro, seis menores, entre
os 13 e os 15 anos foram apanhados a
furtar - as suas vítimas eram estudantes;
Um “gang” tentou roubar o apuro
de uma confeitaria e quando o plano
falhou, pela actuação rápida dos
proprietários, desatou aos tiros; em
Perosinho, o ciclista, Venceslau Fernandes,
um antigo vencedor da Volta
a Portugal, foi atacado no stand de
bicicletas por dois encapuzados que lhe roubaram duas bicicletas; em V.N. de Gaia, quatro
jovens em carro furtado foram detidos após uma perseguição
de 20 km, pela GNR, que acabou em despiste em
Santa Maria da Feira. Os jovens, um com antecedentes
criminais por furto, viciação de viaturas e condução ilegal,
estavam na posse de vários artigos roubados.
O descaramento da ladroagem. Ou falta de cuidado de
quem é assaltado pela segunda vez e no mesmo local?
O assalto aconteceu assim: Uma funcionária da estação
dos Correios de Paredes foi assaltada à mão armada, por
duas vezes, no espaço de dois meses. A segunda aconteceu
no dia 10 deste mês, em plena rua, pouco depois de
ter saído de um banco com cerca de 40 mil euros num
saco. No primeiro assalto, a trabalhadora fora despojada
de 24 mil euros, levantados na mesma dependência
bancária. A mulher, de 58 anos, tinha acabado de sair do
banco, a poucos metros dos Correios, e levava o dinheiro,
que iria reforçar a caixa, (é hábito de muitos reformados
irem trocar os cheques da sua pensão aos Correios).
O assaltante, com um capacete na cabeça, apontou-lhe
uma pistola, roubou-lhe o dinheiro e fugiu numa moto
conduzida por outro indivíduo. Houve um homem que
passava na altura do assalto que ainda tentou agarrar o
assaltante e acudir à funcionária que gritava desesperadamente
mas quando o gatuno lhe apontou a pistola o
transeunte pôs-se no piro. Uma outra testemunha disse à polícia que os dois larápios circulavam numa Honda
com a matrícula dobrada. Pudera! São gatunos mas não
estúpidos.

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